Salvando Maria Silvia
 

Arthur Koblitz
Vice-presidente da AFBNDES
 

Em seu depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira (16), Joesley Batista confirma que o atual presidente
Michel Temer fez gestões junto à ex-presidente Maria Silvia para conseguir a aprovação da reestruturação da JBS.

É verdade que nunca se teve grande esperança no presidente Temer, mesmo as elites, ao menos as mais esclarecidas ou realistas. O mesmo não pode ser dito sobre Maria Silvia. Afinal, ela fazia parte do dream team da equipe econômica, a grande razão por que teríamos que aceitar a constrangedora equipe que ocupou e ainda ocupa o Planalto com o presidente.

Qual seria a consequência de uma das estrelas do dream team estar envolvida em pressão para aprovar um pedido de Joesley Batista? Do ponto de vista do drama nacional, a aprovação da reestruturação colocaria alguma dúvida sobre a real separação entre o time dos sonhos e o time do constrangimento. Estaríamos diante de laços inesperados entre as equipes.

Sabemos que o BNDES não aprovou a reestruturação. Então sabemos que Maria Sílvia e sua diretoria não atenderam à suposta demanda de Temer. Mas como deve ter sido o processo que levou a essa tomada de decisão? E qual o papel da ex-presidente nele?

A primeira ironia nessa história hipotética independe da resposta a essas perguntas. Houvesse o BNDES aprovado a reestruturação, seríamos acusados de indício de irregularidade, mas note-se que agora com uma diferença fundamental em relação à corrente investigação do TCU e da Polícia Federal: teríamos uma conexão entre um pedido específico da JBS e uma decisão do Banco.

Mas voltando às perguntas, ironias menos óbvias são detectáveis. Podemos começar especulando sobre a quem Maria Silvia daria mais ouvidos inicialmente. Será que ela escutaria o que lhe informavam os técnicos da "caixa preta" ou os intelectuais do Insper, com quem ela e seu diretor de Planejamento compartilham afinidades ideológicas e, em particular, visões sobre o BNDES?

A posição do think tank mais crítico ao BNDES e sua política de "campeões nacionais" foi pública. Um de seus intelectuais mais conhecidos, especialista em "capitalismo de laços", foi favorável à reestruturação e questionou a posição contrária do Banco. Segundo reportagem do Valor Econômico (28/10/16), Sérgio Lazzarini estranhou "a justificativa do banco, de que a reorganização societária provocaria a desnacionalização da companhia". Segundo ele, "seria uma justificativa que a gente ouviria nos governos Lula e Dilma, e não nessa nova transição aí".

O que os críticos dos "campeões nacionais" parecem não compreender é a primeira lição sobre o tema. O problema do apoio a grandes empresas não é o apoio em si, mas a forma como ele acontece. A questão pode ser simplificada na pergunta: Quais são as contrapartidas exigidas nesse apoio? Claro que não permitir que a JBS se torne uma empresa com interesses fundamentais deslocados do Brasil é uma contrapartida essencial. Evidencia-se, aqui, o desfoque do debate público brasileiro. Deveríamos estar discutindo o que o BNDES deve exigir das grandes empresas que apoia, não se o BNDES deve apoiá-las.

Maria Silvia sempre se sentiu pouco à vontade para defender o corpo técnico que trabalha na "caixa preta". Irônico destino ter sido esse corpo técnico – e não seus conselheiros habituais – que a salvou de afundar na lama do noticiário junto com o time constrangedor que é o governo que decidiu representar.

As ironias nessa história são muitas. Mas o mais importante é o que essa história recente revela sobre como age o corpo técnico do BNDES.

 
 
Opinião
We Salute You!, por Paulo Moreira Franco
Acontece
A hora e a vez de falar sobre o Banco
Acontece
MOVIMENTO
AFBNDES promoverá seminário sobre Bancos de Desenvolvimento
Acontece
MOVIMENTO
Lançada Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional
Acontece
Livro "Brasil 2035" será lançado hoje, às 16h, no Museu do Amanhã
Acontece

CONSELHO DELIBERATIVO
Prestando contas aos associados

Acontece
Campanha de filiação à AF contará com visitas aos andares

COLABORAÇÕES

Colaborações podem ser enviadas para a redação do VÍNCULO - Av. República do Chile 100, sobreloja/ mezanino, Centro, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20139-900 - ou através do e-mail vinculo@afbndes.org.br.
Lembramos que as opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.