Desenvolvendo futuros em esforço coletivo
 

Carla Primavera, Luciene Machado, Leonardo Pereira, Júlio Ramundo, Claúdio Leal e Mauricio Neves
Superintendentes do BNDES
 
O ano de 2018 é um marco no processo de transformação do BNDES! É hora de enfrentar os desafios identificados no Planejamento Estratégico em curso e abraçar os projetos de transformação organizacional que serão divulgados e implementados nos próximos meses.

A prática de planejamento é uma tradição que acompanha o Banco desde seu nascimento. A própria natureza da busca do desenvolvimento envolve o planejamento de longo prazo. Depois, à medida que a instituição foi se tornando mais complexa, o planejamento passou a incorporar a reflexão sobre os seus próprios rumos. Desde os anos de 1980, esse trabalho passou a ser sistematizado, buscando envolver mais profissionais para aperfeiçoar as atividades realizadas e criar novas formas de atuação, sempre tendo por base o esforço coletivo.

Embora planejar não seja novidade, o Planejamento Estratégico atual marcará a trajetória do BNDES para o futuro. No passado, tal esforço mudou prioridades e trouxe novas preocupações, como o apoio às exportações e ao meio ambiente. Houve também a identificação de aperfeiçoamentos técnicos relevantes, como a criação das áreas de Crédito e de Gestão de Risco. Agora, estão em jogo mudanças mais profundas: a forma de fazer negócios, a definição de novas prioridades e o desafio de reestabelecer nossa reputação, que, mesmo sem bons motivos, esteve sob fogo cerrado nos últimos anos.

Um marco relevante do atual processo de planejamento foi a rediscussão de nossa identidade. A declaração de propósito para nossa existência é "transformar a vida de gerações de brasileiros, promovendo desenvolvimento sustentável". Temos a responsabilidade de ser agente relevante na promoção da transformação econômica e social do Brasil. O crescimento precisa se dar pelo investimento, com redução das desigualdades sociais e regionais, promoção da sustentabilidade e ampliação de oportunidades. O BNDES deve contribuir para a construção de uma verdadeira República com ações que terão impacto em diferentes gerações.

Promover o desenvolvimento requer um esforço coordenado entre instituições, poderes públicos e sociedade. Requer uma transformação da estrutura produtiva e da infraestrutura; requer uma transformação social e cidadã permanente e continuada, promovendo a coesão territorial e o direito à cidade; requer uma transformação sustentável, campo no qual é possível não apenas atuar dentro do país, como também nos colocarmos, com protagonismo, na agenda internacional.

O BNDES não é capaz de, sozinho, promover a transformação pretendida – mas temos um papel muito importante a cumprir nessa direção. Esta é a perspectiva principal do planejamento em curso. Uma verdadeira transformação do país necessitará que diversas instituições estejam coordenadas e orientadas por missões. Na história do Banco, foram diversos os momentos onde o BNDES foi além do seu mero papel de financiador, ajudou a moldar futuros em parceria com outros órgãos de governo, seguindo diretrizes, mas também contribuindo para o debate e para a busca de soluções promotoras do desenvolvimento.

É esse esforço de formulação, estruturação, coordenação entre diversas instâncias, com ações que apontem para uma mesma direção, que será capaz de fazer a diferença. Os desafios são muitos, mas há também oportunidades latentes e também aquelas que precisam ser ainda descobertas. Precisamos ser "caçadores de oportunidades", "agentes de transformação". Precisamos de um "BNDES inquieto", inovador, não acomodado e atento à velocidade das mudanças tecnológicas em curso. Precisamos de um "BNDES articulado" com outras instituições públicas, em busca de objetivos comuns, a começar pela parceria com as nossas instituições-irmãs que fazem parte do sistema nacional de fomento.

Para tanto, é preciso ter a coragem de entender que a visão do BNDES para 2035 precisa identificar visões de futuro para o país nas diferentes dimensões de sua vida econômica e social. E é fundamental demonstrar nossa capacidade técnica de promover a construção desse futuro. A relevância do Banco não diminui, ao contrário, ela aumenta se quisermos realmente transformar esse país na direção do desenvolvimento sustentável.

O que precisa ser transformado por dentro também envolve novos processos, formas de atuar e mesmo novos elementos comportamentais, primeiro passo para emergir uma transformação cultural no Banco. Nesse sentido, por exemplo, é emblemática a identificação de que o BNDES precisa atuar mais diretamente, desenvolvendo mecanismos para operar intensamente com as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). O Banco precisa ajudar a renovar o tecido produtivo brasileiro, por meio de novos atores, rotas tecnológicas e inovação. Precisamos visar saltos de produtividade, aumentar a nossa competitividade e lidar com a grande disparidade entre as empresas brasileiras.

Já está em curso um grande esforço de repensar o negócio à luz das oportunidades amplificadas por tecnologia de informação para incorporar os benefícios do mundo digital na busca por mais capilaridade, eficiência e satisfação de nossos clientes. Precisamos reduzir nossos custos de transação, criar novos produtos e novas formas de análise de crédito para permitir uma revisão de nossa exposição a riscos típicos da natureza empreendedora.

Esse processo também precisa ser devidamente narrado para a sociedade, requalificando nossa imagem através da abertura constante de canais de conversa transparente. Vivemos em uma sociedade em rede na qual o isolamento técnico-burocrático não faz sentido. Para recuperar nossa legitimidade e credibilidade, temos de estar sempre abertos ao diálogo. A criação de uma Área de Comunicação é o reconhecimento, identificado de forma quase unânime pelos empregados, de que o BNDES precisa ocupar espaços externos de maneira mais ativa e refundar as bases de sua estratégia de relacionamento. Não basta trabalharmos sempre com impessoalidade e rigor técnico. Tampouco é suficiente darmos boas respostas quando demandados pela imprensa, por órgãos de controle, por acadêmicos ou por cidadãos. Temos que ir além, adentrar em espaços de relacionamento ainda não ocupados, construir novas capacitações e atuar como ator principal na construção das narrativas sobre nosso papel e a efetividade de nossa atuação.

O tamanho dos desafios aqui mencionados (e há muitos outros) se refletiu no grande envolvimento dos profissionais do Banco no processo de planejamento, com equipes de todas as áreas e de todos os níveis hierárquicos. Nos últimos meses, dentre outros, foram realizadas: entrevistas internas, palestras e apresentações envolvendo temas como "Outros Bancos de Desenvolvimento" e "Cenários de Longo Prazo". Nada menos que 1800 funcionários responderam a uma pesquisa online e o Banco todo parou para discutir: "O que nos une?’. Mais de 15 oficinas de redes foram organizadas, com a participação de mais de 500 empregados. Foram feitas oficinas de "Desafios do Desenvolvimento", "Pontos Fortes e Fracos do Banco", "Construção de Cenários". Foram organizados inúmeros grupos de discussão com a alta administração, envolvendo Chefes, Superintendentes e a Diretoria. A participação foi tal, a ponto de a consultoria contratada para nos apoiar ter destacado que nunca tinha prestado esse tipo de serviço a uma organização com tamanho grau de engajamento e envolvimento do corpo funcional.

É justamente esse esforço coletivo o motor de transformação do Banco! Em primeiro lugar, porque tão importante quanto o plano é o aprendizado e a convergência que nasce de sua elaboração. Indo além, para que um planejamento seja útil, ele não pode ser um fim em si mesmo. O maior desafio está em curso: colocar as ideias em prática com velocidade! Para isso, é necessário o esforço de cada um de nós para que o comprometimento coletivo com a transformação organizacional se mantenha elevado. Só assim as soluções sairão das cabeças, dos slides e irão para o mundo real. A hora é de trabalho conjunto, munido por um senso de propósito.

O planejamento não é de ninguém em particular: é formado por uma união de forças onde cada um contribui conforme sua atribuição e, principalmente, seu entusiasmo. Assim, no futuro, poderemos contar às gerações por vir como o BNDES foi capaz de se reinventar unido para, mais uma vez, transformar a vida de gerações de brasileiros e fazer virar realidade o sonho de vivermos em um país desenvolvido.

 
 
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