Não à ética seletiva
 

Armando Leal
Aposentado, secretário-executivo do Conselho Deliberativo da AFBNDES
 
A decisão da Comissão de Ética do BNDES de abrir Processo de Apuração Ética contra o presidente da AFBNDES, Thiago Mitidieri, em virtude da divulgação feita pela Associação dos Funcionários, no Quadro de Avisos do Banco e no VÍNCULO, convocando os empregados para um ato contra as reformas trabalhista e previdenciária, realizado em 28/04/2017, a meu ver, é equivocada em sua origem, uma vez que trata de atos de um empregado do BNDES no desempenho de mandato de dirigente da AFBNDES, e que só pode ser interpretado como tentativa de calar ou intimidar as ações da entidade, fato inédito na história da instituição, mesmo nos anos mais sombrios da ditadura militar.

Esta questão foi debatida na reunião do Conselho Deliberativo da AFBNDES de 20/12/17. A unanimidade de seus membros teve o mesmo entendimento e, diante da gravidade do fato, aprovou moção de repúdio por "constituir ato de censura às ações da AFBNDES e um precedente perigoso que visa a calar e a inibir as ações da entidade na defesa dos legítimos interesses de seus associados".

A Nota de Esclarecimento da Comissão de Ética, publicada no VÍNCULO nº 1287, de 08/03/18, apesar do título, nada esclarece ou justifica e – sob o manto protetor do sigilo – não entra no mérito de questões de natureza ética. E se não o faz neste campo, entende-se estar agindo, indevidamente, no campo político. E tanto politicamente age que, na mesma nota, "repudia qualquer tipo de pressão ou interferência indevida no exercício regular de suas competências". Como unidade formal do BNDES, a Comissão poderia emitir sua posição no Quadro de Avisos, e-mail ou correspondência aos empregados. Mas não, optou por utilizar o VÍNCULO para responder a críticas a ela efetuada, reforçando sua intenção de demarcar sua posição política.

Aproveita ainda a nota para um marketing institucional de se colocar à disposição para esclarecer dúvidas sobre sua atuação, informando vários canais de comunicação, seja presencial, por e-mail, por contato telefônico etc.

Valeria então solicitar esclarecimentos sobre representação por mim protocolada em 2016. Hoje, passados pouco mais de dois anos, não obtive qualquer resposta da Comissão de Ética a respeito, mesmo tendo deixado meu nome, telefone e e-mail na petição para contato.

Não sei se houve tratamento político da questão, que a meu ver não deveria existir. E, se houve, minimamente uma satisfação deveria ter me sido prestada. O silêncio, no caso, não me pareceu ético.

Assim, entendo que os procedimentos da Comissão de Ética devem ser revistos e aperfeiçoados para delimitar seu espaço de atuação. Sua composição deve ser democratizada com eleição de parte de seus membros dentre os empregados.

Do contrário vamos ter uma Comissão de Ética seletiva e tendenciosa que pouco agrega e enfraquece a cultura da boa ética entre os empregados do BNDES.

 
 
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