Futuro incerto

Thiago Mitidieri

Presidente da AFBNDES

No último domingo (28), Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República com 58 milhões de votos. O segundo colocado, Fernando Haddad, obteve 47 milhões de votos; e 42 milhões de eleitores se abstiveram, anularam ou votaram em branco. Como mandam nossas instituições democráticas, a partir de 1º de janeiro de 2019 Bolsonaro será o presidente de todos os brasileiros – dos que votaram e dos que não votaram nele.

Com todas as garantias institucionais e democráticas respeitadas, o país demandará, nos próximos quatros anos, que o novo governo dê prioridade ao enfrentamento da grave crise econômica e tome medidas eficazes para retomar a geração de emprego para as dezenas de milhões de brasileiros desempregados e desalentados. Para isso será preciso que o novo governo tenha um plano para recolocar o país numa trajetória de crescimento econômico e desenvolvimento de longo prazo.

Preocupa que o novo governo vá continuar com o receituário neoliberal "fundamentalista", já bastante batido, e que sabemos, por décadas de experiência em diversos países, aonde vai nos levar: ao aprofundamento da recessão, do desemprego e do atraso. Assim, defendemos, pelo bem da Nação, que a política econômica do próximo governo seja dirigida pela necessidade, imperiosa, de gerar emprego qualificado para a população mais necessitada.

Uma política econômica que visa tirar a economia brasileira da recessão deverá agir, principalmente, em duas frentes: uma que seja capaz de organizar e estimular oportunidade para novos investimentos no setor produtivo, e outra que seja capaz de enfrentar a má distribuição da renda e da riqueza.

Para ter sucesso na retomada dos investimentos, o país não poderá prescindir do BNDES. Com os instrumentos adequados, de taxa de juros e funding, o Banco poderá oferecer crédito de longo prazo necessário para financiar os investimentos e apoiar o setor produtivo empregador.

Já está na hora de se pensar o Banco como parte da estratégia para a recuperação da economia, e não como fonte de recursos para que o governo não descumpra a "regra de ouro". Ou seja, é importante que se interrompam as liquidações antecipadas de empréstimos junto ao Tesouro Nacional e canalizar tais recursos para financiar investimentos e criação de riqueza nova.

O BNDES precisa voltar às suas raí-zes e retomar sua atuação histórica em prol da indústria brasileira, buscando a sua modernização e o aumento de produtividade – inserindo o parque industrial brasileiro, efetivamente, nos campos da inovação e da indústria 4.0.

Depois da crise de 2008 emergiu um consenso mundial sobre a importância dos Bancos de Desenvolvimento, pela capacidade destas instituições financiarem investimentos produtivos no longo prazo, com destaque para o setor de infraestrutura, e também pela sua atuação anticíclica, conferindo mais solidez ao sistema financeiro e econômico em conjunturas de crise.

No setor de infraestrutura, por se tratarem de investimentos vultosos, cujos retornos e efeitos ocorrem no longo prazo, o BNDES poderá atuar, em parceria ou não com o mercado, estruturando e financiando os investimentos, por exemplo, nos segmentos de saneamento, energia (especialmente eólica e solar), mobilidade urbana, logística e telecomunicações.

Vislumbramos uma estagnação para o país nos próximos anos, caso a corrente ultraliberal continue dando as cartas em matéria econômica. Nesse cenário, o BNDES se tornará cada vez mais irrelevante. O desemprego continuará atormentando a vida de milhões de brasileiros e a pobreza vai aumentar, intensificando o sofrimento e o desespero da parcela mais carente e desprotegida da população.

Esperamos não passar os próximos quatro anos morando na recessão e que a gravidade da crise múltipla em que estamos inseridos fale mais alto. A AFBNDES continuará trabalhando por um Brasil desenvolvido, mais justo, menos desigual e ambientalmente responsável. Permanecerá defendendo a necessidade de o país contar com políticas de desenvolvimento econômico e social como caminho mais eficaz e sustentável para a superação do nosso atraso e de nossas mazelas sociais históricas.

 

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