Nossos desafios

Adriana Nalesso

Presidente do Sindicato dos Bancários do Rio

Em conversa (...) com uma bancária muito preocupada com o momento que estamos vivendo, ela me perguntou como iria ficar a situação do Sindicato, já que o presidente eleito deixou claro que tem resistência a toda forma de ativismo, ou seja, a qualquer organização e mobilização dos trabalhadores.

Pensei um pouco para responder, mas não tenho dúvidas que a maior das preocupações para nós bancárias e bancários que estamos sempre à frente em defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores, na condição de dirigente sindical, é, sem dúvida, o que ele fala sobre liberdade de escolhas: "desde que não interfiram em aspectos essenciais da vida do próximo". Quais significados podemos atribuir a essa frase?

Na minha opinião, toda e qualquer atividade interfere na vida das pessoas e posso citar alguns exemplos: manifestações contra demissões, assédio moral, terceirizações, reforma trabalhista, greves, passeatas... Enfim, como lutar em defesa de nossos direitos sem interferir na vida das pessoas?

As propostas de governo do recém-eleito presidente interferem diretamente em nossas vidas. Ele é a favor da reforma da Previdência e defende a implantação de um modelo privado, ou seja, que os bancos assumam o papel que é do Estado. Como não lutar contra isso?

Ele defende uma alíquota única de 20% no Imposto de Renda para quem ganha acima de cinco salários mínimos. Isso é justiça social? Claro que não. Como comparar um empresário que ganha milhões com um bancário que ganha cinco salários mínimos?

Ele é a favor da privatização e até da extinção de estatais. A ideia seria reduzir o pagamento de juros com a venda das empresas. Somos contra a privatização, em especial dos bancos públicos CEF e BB. Já temos um sistema financeiro altamente concentrado, apenas os cinco maiores bancos detêm mais de 80% de todas as transações financeiras do país.

Será que alguém acredita que algum banco privado está interessado em financiamento de casa própria para trabalhadores de baixa renda? Ou financiamento da agricultura familiar a juros menores?

São reflexões que estamos fazendo frente a um governo que ameaça a democracia. Pontuei aqui alguns exemplos das lutas que teremos de travar caso de fato se torne realidade o que está no programa do recém-eleito presidente.

A história da humanidade nos mostra que nenhum avanço rumo à civilização, ou seja, à ampliação de direitos, o respeito às diferenças e a uma sociedade mais justa aconteceu sem que ocorressem conflitos, que são naturais entre capital e trabalho.

Como exemplo, podemos citar a luta da nossa categoria. Nós bancárias e bancários colhemos muitos frutos em nossas batalhas. Através de nossa organização em sindicatos, mobilização em protestos e greves conquistamos entre muitos outros direitos, a nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que é válida em todo o país, aumentos reais consecutivos, jornada de seis horas e o não trabalho aos sábados. Nós fomos a primeira categoria a conquistar o direito de receber parte do lucro das empresas, a PLR.

E para finalizar, devemos lembrar a coragem de muitos que, inconformados com o regime ditatorial, lutaram pela retomada da democracia. A esses, o meu eterno respeito e admiração como o companheiro Aluizio Palhano, que presidiu nosso Sindicato e sumiu durante a ditadura militar, sem que seus familiares sequer tivessem o direito ao seu sepultamento.

Nenhum avanço veio sem luta, nós estaremos aqui e continuaremos a defender nossos direitos enquanto trabalhadoras e trabalhadores. Vamos continuar resistindo a todos os ataques e insistindo para que de fato o Brasil seja um país de oportunidades para todos e não de retrocessos.

 

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