EDITORIAL
Confiança necessária

A pressão sobre os funcionários do BNDES continua. Numa combinação de desinformação, irresponsabilidade e ganância, jornalistas, empresários e homens públicos decidiram ignorar os fatos e condenar o BNDES e seus empregados. Mas não há denúncia de corrupção, delação premiada ou coisa que o valha contra o funcionalismo da Casa. E isso depois de inúmeras investigações realizadas, inúmeras investigações em andamento. Quantos colegas hoje trabalham em infindáveis investigações kafkianas do TCU? Quantos colegas já passaram pela experiência de terem seus bens bloqueados, ou temem que venham a passar por esse constrangimento? Trinta e sete colegas conduzidos coercitivamente como bandidos, humilhados perante vizinhos e parentes.

O estresse, o desânimo, a sensação de derrota, a moral baixa do corpo funcional é tão palpável quanto a catraca, a baia, a estrutura do prédio em que trabalhamos.

Convocamos os funcionários a não desistir. Sim, legitimamente vamos resistir por nós e por nossas famílias. Mas vamos resistir também por alguns valores igualmente fundamentais. Vamos resistir para mostrar que o Estado Brasileiro não é a caricatura de ineficiência e corrupção que muita gente ignorante acredita e que muita gente mal-intencionada quer fazer outros acreditarem. Vamos resistir para mostrar que o país tem instituições sérias e que por isso podemos ter esperança ou fé de que daremos a volta por cima. Enfim, vamos resistir em nome da história de gerações de brasileiros que aqui trabalharam, em defesa do futuro de nossa pátria.

É importante que a nova Administração entenda que no cenário histórico que vivemos é impossível o meio do caminho. Ou se faz coro com o discurso leviano que quer transformar mentira em verdade por sua repetição, a de que houve um desastre no BNDES, ou, examinando-se a evidência, reconhece-se que não há indício desses supostos malfeitos – e defende-se essa instituição.

Não dá para dizer para os funcionários que não há problema e querer ficar bem com atores externos fazendo coro à infâmia. Já não deu certo essa estratégia e não dará.

É importante que os empregados do BNDES se unam. Alguma medida de corporativismo que tanto nos atribuem não faz mal. É triste reconhecer, mas temos um déficit de confiança entre colegas. Talvez porque nossa cultura nacional seja excessivamente cínica, talvez porque nunca as desconfianças tiveram grandes consequências. Vivemos uma nova situação. Sem unidade e confiança entre os benedenses, seremos presas fáceis dos que nos cercam.

Na defesa de nossa instituição e de nossas carreiras, precisamos amadurecer politicamente. Precisamos separar o que é decisivo, do que é conveniente. Precisamos de foco na luta pela valorização do nosso trabalho.

Precisamos refletir sobre os passos que temos dados até aqui. Um exemplo recente merece destaque. Na plenária sobre o PAS, na última sexta-feira, os funcionários do BNDES deram uma prova importante de organização, de espírito democrático e de confiança. Provamos que sabemos confiar. Que não abusem desse ativo fundamental que nos permite seguir unidos. Que não desafiem nossa capacidade de desprezar traidores.

A plenária nos uniu em torno de uma questão fundamental: a defesa da autogestão do nosso Plano de Saúde. Importante que todos entendam o que isto significa, pois a primeira batalha que dá sinais no horizonte é a sua defesa.

 

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AGENDA

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