19 de outubro de 2006

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BNDES continua em greve nesta sexta-feira (20 de outubro)
Assembléia nesta sexta-feira (20), às 11h, para avaliação do movimento e a definição de seus desdobramentos.

Os empregados do BNDES dão continuidade nesta sexta-feira, 20 de outubro, ao movimento grevista iniciado hoje pela manhã. A paralisação foi um sucesso e ocorre em repúdio à contraproposta do Banco para os pleitos econômicos da Pauta de Reivindicações de 2006.

Dirigentes do BNDES se reuniram hoje com os representantes dos empregados e asseguraram que a Administração do Banco estava trabalhando na construção de uma nova proposta para ser apresentada ao corpo funcional. Como esta nova proposta não surgiu até o fim da tarde, os empregados resolveram permanecer de braços cruzados amanhã. 

Nova assembléia será realizada nesta sexta-feira (20), por volta das 11h, quando haverá uma avaliação do movimento e a definição de seus desdobramentos. 

Decisão sobre a greve

A decisão sobre a greve foi tomada em assembléia geral realizada na última terça-feira, 17 de outubro, depois que os empregados rejeitaram, por unanimidade, o que foi oferecido para o reajuste salarial (3,84%) e para o abono não incorporável ao salário (50% de uma remuneração contratual).

A data-base dos funcionários do BNDES é 1º de setembro. Os empregados pedem 20% de reajuste e 1,5 remuneração a título de abono, entre outras cláusulas de natureza econômica.

Perdas salariais

A Comissão de Negociação dos Empregados calcula em 18,79 salários de agosto de 2006 as perdas reais de massa salarial acumuladas de julho de 1994 (ano de criação do Plano Real) a agosto de 2006.

Há também outro tipo de perda: “o resíduo percentual”, que é a defasagem entre os índices inflacionários e os reajustes salariais concedidos nos últimos 12 anos. Considerando o IPCA/IBGE, a perda dos empregados já atinge o percentual de 28,91%. Em outras palavras: concedido o reajuste salarial pleiteado – de 20% –, ainda seriam necessários 7,43% para zerar essa perda acumulada. 

Importância do BNDES

A Comissão dos Empregados destaca a importância do BNDES – o maior banco de desenvolvimento do mundo, que tem a responsabilidade de executar um orçamento na casa dos 60 bilhões de reais. Uma instituição que apenas no primeiro semestre deste ano alcançou um lucro de R$3,317 bilhões – 81,1% a mais que o resultado apurado em igual período de 2005. Este desempenho superou o do Bradesco, o maior banco privado do país, que lucrou R$3,132 bilhões nos primeiros seis meses de 2006. Uma instituição que não depende do orçamento da União e tem condições de propor um Acordo Coletivo digno para seus empregados. 

Luta contra a diferenciação funcional

A Comissão também chama atenção para o fato de que o Banco ainda não tem posição concreta para importantes questões internas, como a equalização das curvas salariais dos Planos de Cargos e Salários existentes na instituição (PUCS e PECS) – conforme compromisso assumido pela direção da casa na Negociação Coletiva de 2005 – e para o pleito do Quadro Único (única forma capaz de acabar com as diferenciações que afligem o corpo funcional desde 1998). Além disso, a Administração começa a trilhar o velho caminho das negativas para diversas questões contidas na Pauta de Reivindicações.

“A greve, portanto, é pelo conjunto da obra. E é um duro recado para a Administração do BNDES, que precisa, o quanto antes, mostrar empenho, liderança e vontade política para merecer o lugar que ocupa num dos mais importantes órgãos do Estado brasileiro”, ressaltam os representantes dos funcionários.