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Saúde Mental e o vício em apostas online nas bets, por Adriana Carvalho*

O crescimento das apostas online, nas plataformas conhecidas como “bets”, tem provocado impactos profundos na saúde mental de muitos brasileiros, configurando hoje um verdadeiro problema de saúde pública no País.

Desde a legalização das apostas esportivas em 2018, o fácil acesso a essas plataformas têm levado um número crescente de pessoas a desenvolver o vício, transtorno reconhecido oficialmente tanto pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais(DSM-5), quanto pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O vício em apostas é caracterizado pela perda de controle sobre o ato de jogar, persistência mesmo diante de prejuízos e consequências significativas no funcionamento pessoal, familiar e social. Indivíduos nessa condição frequentemente apresentam sintomas associados como ansiedade, depressão, crises de pânico e até ideação suicida, além de um ciclo emocional negativo com culpa, baixa autoestima e isolamento social.

O impacto não é somente psicológico, mas também econômico e social. Pesquisas indicam que a maioria dos apostadores que desenvolvem dependência acumulam dívidas e comprometem parte substancial de sua renda mensal, o que agrava o sofrimento emocional e a pressão nas relações familiares. Muitas vezes, o jogador se sente envergonhado, isola-se e esconde seus problemas, perpetuando o ciclo do vício.

A lógica das plataformas de aposta, com recompensas imediatas e estímulos constantes ao comportamento compulsivo, atua diretamente no sistema de recompensa cerebral, assemelhando-se aos efeitos das drogas. O resultado é uma espiral de perdas financeiras, distanciamento social e sofrimento psíquico.

A crescente demanda por tratamento especializado em saúde mental relacionada ao vício em apostas tem sobrecarregado sistemas públicos e privados de saúde no Brasil, sinalizando a urgência de políticas públicas eficazes, planejamento e campanhas educativas para prevenção. É importante desmistificar a ideia de que as apostas podem ser uma forma de investimento, destacando seus riscos para a saúde mental e financeira. Identificar sinais de alerta – como o investimento crescente de tempo e dinheiro, insônia, queda no rendimento escolar ou profissional, mudanças de humor e isolamento – é fundamental para a intervenção precoce e o suporte adequado a quem enfrenta esse transtorno.

Fatores que contribuem para o avanço do vício nas “bets”:

Facilidade de acesso: As plataformas online permitem apostar a qualquer momento, com apenas alguns toques na tela, o que acelera o desenvolvimento do vício.

Publicidade massiva: O marketing agressivo, muitas vezes associado a influenciadores digitais e times e jogadores de futebol, normaliza o jogo e o apresenta como uma forma fácil e divertida de ganhar dinheiro, atraindo especialmente o público mais jovem.

Mecanismos de recompensa rápida: A gratificação instantânea em jogos como cassinos online e caça-níqueis aumenta o potencial de dependência, pois o intervalo entre a aposta e a recompensa é muito curto.

Cerca de 11 milhões de brasileiros estão em risco de problemas sérios de saúde mental e financeira devido ao uso perigoso de apostas, e 1,4 milhão já desenvolveu transtornos com prejuízos pessoais e sociais.

Dados do Ministério da Saúde indicam crescimento expressivo nos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por vício em jogos, incluindo apostas, que saltaram de 65 em 2019 para mais de 1.200 em 2024.

Portanto, não se deixe seduzir por promessas de ganho fácil, verdadeiras armadilhas para sua saúde mental e financeira. Busque ajuda junto ao seu médico e enfermeiro de família.

Em caso de dúvidas, você pode entrar em contato pelo “Fale FAPES”, localizado na aba Atendimento do Portal de Serviços ou no aplicativo da Fundação.

Nossa equipe também está disponível pelo Atendimento Telefônico, ligando para (21) 3820-5454 e escolhendo a opção 2 (Saúde).

(*) Adriana Carvalho é médica do Programa Saúde da Família da FAPES.

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► As opiniões emitidas nos artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da AFBNDES ou do BNDES

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