Temos um Acordo Coletivo de Trabalho. A Casa falou. A assembleia é soberana e decidiu. Democraticamente. E com quórum recorde de mais de 2 mil participantes!
Apesar da AFBNDES ter se posicionado pela rejeição da proposta, temos claro que o que negociamos em Mesa tem valor. A proposta final do Banco garantiu todos os direitos já conquistados, ganhos reais em salários e demais verbas nos dois anos da validade do Acordo e trouxe avanços significativos: aderindo à novas cláusulas da CCT dos bancários; incorporando parte das propostas originais dos empregados nas cláusulas sobre diversidade, equidade e inclusão; recepcionando a criação da Comissão Permanente do NM na empresa; e registrando em parágrafo específico, na Cláusula de Negociação Permanente, o compromisso de discutir adiante questões do NPCS.
Surgiram dúvidas e críticas razoáveis em pontos importantes do que a Administração apresentou como a principal entrega: o mecanismo de promoção para a carreira do NPCS. De fato, algo que estabelece a condição básica de trajetória para a vida funcional. A Comissão dos Empregados assistiu a uma apresentação verbal do mecanismo apoiada por alguns slides, sem acesso à minuta do normativo. Finalmente, a aprovação do ACT como condição para a sua implementação tornou-se a principal questão, mas não a única. Na proposta apresentada, a velocidade para percorrer os cerca de 40 anos planejados dependeria excessivamente da vontade da Administração.
A posição da AFBNDES pela rejeição teve como objetivo estressar os limites da negociação, uma vez que nem a promessa do presidente estava sendo entregue, de forma a buscar avanços que dessem segurança na compreensão das pautas em discussão. Estávamos diante apenas da primeira proposta da Administração, com um mecanismo de promoção diferente, recém e precariamente apresentado. Com o ACT vigente prorrogado até o final deste mês, pedimos calma e solidariedade aos demais empregados.
Afirmamos em nosso comunicado de 14/09, segunda-feira seguinte à apresentação da proposta à Casa:
“Entendemos que indicar a aprovação da proposta, desconsiderando os problemas apontados, poderia levar a uma cisão na Casa, o que seria muito ruim para todo o corpo funcional e para a instituição”.
“Ela não cumpre a promessa feita pelo presidente. A carreira sequer chega no que foi proposto à SEST. A principal diferença está no método apresentado pelo Banco: depende fortemente da discricionariedade das administrações futuras para alcançar o resultado”.
A estratégia se mostrou acertada! Bastou o Comunicado da Associação propondo a rejeição e a passagem por quatro andares na terça-feira, dia 15, explicando aos empregados o impasse negocial, para que a Administração anunciasse um recuo, disfarçado de “esclarecimento”. Algo que, dito desta forma, poderia sugerir que houve má-fé nos argumentos da Associação quando conversou com os empregados sobre o impasse.
Com nosso movimento, conseguimos que o Banco também apresentasse novas comunicações com redações mais detalhadas sobre pontos que afligiam os colegas PECS/NM e NPCS. O mais importante foi, na verdade, o recuo do Banco na proposta apresentada.
É importante entender seu significado e a estratégia de comunicação. Com a precariedade da forma utilizada – verbalmente, sem apresentar o texto do normativo – pôde alterar significativamente a proposta sem reapresentá-la à Comissão dos Empregados em uma reunião de negociação. Um texto não apresentado pode ser modificado, quando necessário, e suas alterações chamadas de “esclarecimento”. A questão é que a alteração realizada foi demandada algumas vezes na Mesa e em reuniões paralelas, mas tratada como algo inatingível.
Na nova proposta, publicada pelo Banco como simples esclarecimento na quarta-feira, dia 16, o mecanismo de promoção dos NPCS apresentado em Mesa sofreu a seguinte drástica mudança: o teto de 2 steps foi transformado em um PISO!
Conseguimos aumentar a previsibilidade do tempo da carreira! E a discricionariedade se tornou espaço para uma eventual aceleração da curva no futuro. Agora, a promessa do Presidente estava em boa parte cumprida.
Esta mudança na proposta não foi benéfica apenas para os NPCS. Tirou uma espada sobre a cabeça dos gestores! Eles também passaram e ter previsibilidade para o processo. Na regra original, com somente 0,8 step por funcionário, alguém sofreria seleção adversa, sendo excluído para que houvesse unidades inteiras de step para serem distribuídas.
Por tudo isto, estamos convictos que fizemos o movimento correto!
E mais! Como a equipe do escritório de advocacia Cezar Britto nos esclareceu, os comunicados divulgados pela ARH, em16/09, e pela Diretoria Executiva, no dia 17/09, geraram mais obrigações jurídicas por parte do Banco.
Queríamos mais, porém reconhecemos que houve algum avanço, entretanto insuficiente para dar a segurança necessária aos colegas.
A derrota por pequena margem é sinal de que uma parte considerável da Casa se mobilizou em relação aos pleitos dos NPCS e NM a ponto de votar pela rejeição. Um movimento difícil, considerando que para a grande maioria a proposta em Mesa não era vista como ruim.
Entendemos que a tese da solidariedade foi bem-sucedida.
Colocamos as pautas NPCS e NM no centro da discussão. Saíram mais visibilizados, com a Casa e a Administração mais sensibilizadas quanto à urgência e à relevância de suas pautas.
Temos o sentimento de que, entre os que aprovaram a proposta, há também colegas que agora entendem melhor do que antes o tamanho dos problemas. Mas que podem ter compreendido que os riscos de perder os avanços incluídos na proposta não compensavam. É do jogo.
Viramos a página. Agora podemos olhar adiante para todas as outras agendas que temos. E não são poucas.
Como nos propomos desde o início, seguiremos trabalhando por todos os benedenses. As lutas pela incorporação, pelo direito ao divisor 175 e pela formalização do abono doença família para os novos são alguns exemplos.
Há também muito por avançar na agenda que surgiu junto à FAPES ao longo desta Negociação, como: lutar pela melhoria de reembolso, buscar a ampliação da rede credenciada e avançar em melhores condições para o Novo PAS.
Vamos buscar aproximação, convergir para construir consensos e avançar dentro dos espaços que foram conquistados no ACT, como a Comissão NM e a Negociação Permanente para o NPCS.
Vamos seguir nossa parceria com os companheiros da Contraf e do Sindicato, que nos deram suporte em todo este processo.
O próximo compromisso será estudar alternativas para reduzir os riscos de uma PLR totalmente dependente de metas. Em seguida, buscar a abertura da Negociação Permanente, garantida pelo presidente Mercadante após o período eleitoral.
Neste processo negocial, diante de uma discussão complexa, o corpo funcional deu uma demonstração de maturidade. Participou de plenárias, das passagens pelos andares e construiu uma assembleia com quórum histórico. Um processo democrático e participativo desde a construção da Pauta de Reivindicações.
Passamos por este processo juntos. E seguiremos juntos na defesa dos interesses de todos os benedenses!
Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2026.
A Diretoria da AFBNDES
