VÍNCULO 1715 – Na edição de novembro do Jornal dos Economistas, publicado pelo Corecon-RJ, os articulistas analisam a política macroeconômica brasileira e apresentam propostas para alterar o quadro atual.
Rosa Maria Marques e Julio Manuel Pires, da PUC-SP, propõem a redução da indexação dos títulos públicos à Selic, elevação da meta da inflação, aperfeiçoamento do arcabouço fiscal, valorização do salário mínimo e coordenação entre BNDES, Novo PAC e política industrial na priorização de projetos.

Victor Leonardo de Araujo, da UFF, defende a flexibilização do centro da meta inflacionária para entre 4% e 4,5%, intervenção do BC no mercado de câmbio sempre que o Real sofrer especulação e resistir às pressões por um ajuste fiscal com cortes na despesa primária.
Guilherme Haluska, Nathalie Marins e Ricardo Summa, da UFRJ, ressaltam que o Brasil não precisa optar entre responsabilidade fiscal e desenvolvimento. “Uma meta de inflação realista, investimento público recomposto, gasto social preservado e financiado por quem paga pouco formam uma agenda factível que permitiria crescer sem aumento da dívida pública”, sustentam.
Antonio Corrêa de Lacerda, da PUC-SP, destaca que expressiva parcela das transformações necessárias extrapola a gestão do Poder Executivo, sendo necessário mobilizar o Legislativo e o Judiciário. “Corrigir distorções exige maior comprometimento dos Poderes e um novo pacto federativo”, destacam.
Luciana da Silva Ferreira e Roberto de Souza Rodrigues, da UFRRJ, entendem que é necessário rever o arcabouço fiscal, especialmente os limites ao investimento do Estado e o financiamento de áreas estratégicas, como educação, ciência e tecnologia.
Daniel Negreiros Conceição, do Ippur, enfatiza que uma nova política macroeconômica precisa ser funcional, não fiscalista. Para ele, ela deve ser julgada pelos resultados materiais – emprego, renda, produção, bem-estar – e não por metas contábeis. “A economia deve servir à vida, não à acumulação financeira”, diz.
Ellen Lucy Tristão, da UFVJM, argumenta que uma proposta para 2027 precisa se contrapor à política persistente de juros altos. Medidas sociais e ambientais terão alcance limitado se permanecerem subordinadas a uma orientação monetária que estreita suas possibilidades de financiamento e realização.
Rodrigo F. de Magalhães, da UFRRJ, frisa que, no Brasil, já é passada a hora de se incorporar à agenda da redução das desigualdades a questão dos impostos sobre riqueza. “Muito mais até que no exterior, o ajuste de contas com os nossos bilionários não pode esperar”, defende.
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