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“Luz em Você – Um tempo para quem cuida”, em 14 de novembro, no Clube da Barra

A psicóloga Bruna Medeiros é a idealizadora do evento

VÍNCULO 1716 – Quem cuida também precisa de cuidado. Com essa proposta, o Clube da Barra, sede social da AFBNDES, receberá, na manhã do dia 14 de novembro, o evento “Luz em Você – Um tempo para quem cuida”, dedicado ao acolhimento, à escuta e à troca de experiências sobre os desafios da maternidade.

O encontro, gratuito e com vagas limitadas, acontecerá das 9h às 13h, com credenciamento a partir das 8h30. Idealizada e conduzida pela psicóloga Bruna Medeiros, a atividade abordará temas como saúde mental materna, regulação emocional e fortalecimento de vínculos, oferecendo um espaço seguro para compartilhar vivências e refletir sobre a maternidade.

A iniciativa é especialmente voltada para mães solo, mães atípicas e mães com deficiência (PcD), mas está aberta a todas as mães. Durante as atividades, as crianças contarão com recreação especializada.

A proposta é proporcionar uma pausa na rotina e lembrar que cuidar de si também é fundamental. Entre tantas responsabilidades e cobranças, o encontro convida as participantes a dedicar um tempo às próprias necessidades, em um ambiente de acolhimento e troca.

Entrevista

A seguir, a psicóloga Bruna Medeiros fala do projeto “Luz em Você” e do cuidado com a saúde mental das mães.

Quais desafios específicos merecem atenção quando falamos de mães solo, mães atípicas e mães com deficiência?

Embora cada maternidade seja única, existem situações em que a sobrecarga ganha outras camadas. A mãe solo, muitas vezes, concentra decisões, responsabilidades financeiras, rotina e cuidado sem ter com quem dividir. A mãe atípica pode conviver com demandas intensas de terapias, consultas, adaptações, preocupações com o desenvolvimento do filho e, muitas vezes, com a necessidade constante de lutar por direitos e inclusão. Já uma mãe com deficiência pode encontrar, além das demandas da maternidade, barreiras de acessibilidade e uma rede social que nem sempre reconhece suas necessidades.

Mas existe algo que pode atravessar todas essas experiências: quem cuida também precisa de cuidado. Muitas vezes olhamos para as necessidades da criança e esquecemos de perguntar como está a mulher que sustenta grande parte desse cuidado. E foi justamente desse olhar que nasceu o “Luz em Você”.

O que significa, na prática, cuidar da saúde emocional em meio às demandas da maternidade?

Cuidar da saúde emocional não significa estar calma o tempo inteiro, não se irritar ou dar conta de tudo com leveza. Isso seria mais uma cobrança colocada sobre a mãe. Na prática, começa por conseguir perceber os próprios sinais: reconhecer quando o corpo está chegando ao limite, identificar necessidades, pedir ajuda, estabelecer limites, descansar quando possível e compreender os próprios gatilhos emocionais.

Também precisamos ampliar o conceito de autocuidado. Nem sempre autocuidado será ter horas disponíveis para si. Às vezes, autocuidado é dizer “hoje eu não consigo”, dividir uma responsabilidade, pedir ajuda, fazer uma pausa de alguns minutos ou procurar acompanhamento profissional quando percebe que não está conseguindo lidar sozinha.

A mãe não precisa de mais uma lista de coisas para fazer. Ela precisa de recursos e de uma rede que permita que ela também exista para além da função de cuidar.

Como familiares e parceiros podem construir uma rede de apoio que realmente alivie a sobrecarga das mães?

Rede de apoio não é apenas dizer “se precisar, me chama”. Muitas vezes, uma mãe que já está sobrecarregada também precisa identificar o que precisa, organizar, pedir e explicar como o outro deve ajudar. Isso mantém nela a carga mental.

Uma rede que realmente apoia é aquela que assume responsabilidade e participa ativamente. É o parceiro que percebe o que precisa ser feito sem esperar instruções. É alguém que oferece ficar com a criança para que aquela mãe possa descansar. É perguntar “o que eu posso assumir hoje?” e realmente assumir.

E existe também apoio emocional: ouvir sem julgar, sem minimizar e sem responder imediatamente com conselhos. Às vezes, a mãe não precisa ouvir “você precisa ter mais paciência”. Ela precisa ouvir: “Eu percebo que está pesado. O que posso tirar das suas mãos hoje?”

Como surgiu a proposta do evento “Luz em Você” e qual transformação ou experiência você espera proporcionar às participantes?

O Luz em Você nasceu de uma pergunta que me acompanha muito: “quem cuida de quem cuida?” Essa pergunta não nasceu apenas da minha experiência como psicóloga. Nasceu também da minha experiência como mãe. Eu também senti na pele a sobrecarga da maternidade, o cansaço e, principalmente, a sensação de ter me perdido de mim mesma em meio a tantas demandas e responsabilidades.

Ao mesmo tempo, como psicóloga, escuto mulheres que chegam falando sobre os filhos, sobre culpa, irritação, exaustão e a sensação de não estarem sendo boas mães. Mas, quando começamos a olhar mais profundamente, muitas vezes encontramos uma mulher que está há muito tempo funcionando no limite, tentando sustentar todos ao redor e se colocando sempre por último.

Foi da união desses dois lugares, da mulher que viveu e da profissional que diariamente escuta outras mulheres, que nasceu o desejo de criar o “Luz em Você” e levar esse cuidado para além do consultório.

Por isso, não quero que o “Luz em Você” seja apenas uma palestra. Quero que seja uma experiência de cuidado. Vamos falar sobre saúde emocional, sobrecarga, funcionamento do sistema nervoso, regulação emocional e autocuidado, mas também teremos experiências corporais, momentos de pausa, conexão e acolhimento.

E existe algo muito simbólico: enquanto cuidamos das mães, haverá uma estrutura para cuidar das crianças. Porque queremos mostrar, inclusive na prática, que cuidar da mãe também é cuidar da criança.

Se cada mulher sair de lá se sentindo um pouco mais vista, compreendendo melhor o próprio corpo, lembrando um pouco mais de quem ela é para além da maternidade e percebendo que não precisa sustentar tudo sozinha, o projeto já terá cumprido uma parte importante de sua missão.

Que mensagem você deixaria para uma mãe que está acostumada a cuidar de todos, mas sente que não tem espaço para cuidar de si mesma?

Eu diria: você também faz parte das pessoas que precisam do seu cuidado. Você não precisa esperar chegar ao limite para reconhecer que está cansada. Não precisa adoecer para considerar legítima a necessidade de parar. E não precisa se sentir culpada por precisar de ajuda.

Cuidar de si não significa amar menos os seus filhos. Pelo contrário: quando uma mãe encontra espaço para reconhecer suas necessidades, regular suas emoções e receber apoio, ela também amplia os recursos que tem disponíveis para se relacionar. Talvez você não consiga mudar toda a sua rotina hoje. Mas pode começar com uma pergunta: “Do que eu preciso neste momento?”

Nós perguntamos tantas vezes aos nossos filhos se estão com fome, sono, medo, frio ou se precisam de colo. Talvez seja hora de, de vez em quando, direcionarmos essa mesma pergunta para nós mesmas. Porque quem cuida também merece ser cuidada.

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