
VÍNCULO 1679 – O economista Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), recebeu na última sexta-feira (6) o prêmio Personalidade Econômica do Ano. Na ocasião, o Banco também foi homenageado pelo Cofecon, conquistando pelo segundo ano consecutivo a honraria Destaque Econômico, na modalidade Desempenho Técnico.
O prêmio Personalidade Econômica tem a finalidade de reconhecer os economistas que contribuíram para o desenvolvimento da Ciência Econômica e da profissão de economista, nas vertentes teórica ou aplicada, com destaque no cenário nacional ou internacional. Ele é entregue pelo Cofecon desde 2004. Aloizio Mercadante se tornou o 21º economista a receber a honraria, consolidando sua trajetória de destaque no país.
Já o BNDES recebeu, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio Destaque Econômico, modalidade Desempenho Técnico, criado para reconhecer instituições que se destacam pela excelência no uso do instrumental fornecido pela ciência econômica.
Ao iniciar sua fala de agradecimento, Mercadante fez uma homenagem à presidenta do Cofecon. “Quando entrei na faculdade de economia, no início de 1973, a presença feminina não era uma coisa simples. Então, parabéns. Você é, desde 1951, a primeira de muitas que virão, porque não haverá caminho de volta”, afirmou o presidente do BNDES. Dirigindo-se à presidenta do IPEA, Luciana Servo, mencionou que “quando eu entrei na USP havia um estudante negro. Hoje vemos as mulheres negras ocupando esses espaços. Como ministro da educação, uma das coisas que mais lutei, porque no Senado não consegui, foi aprovar a lei de cotas para os estudantes da escola pública. Você nos representa nessa função e nos sentimos muito orgulhosos”.
Mercadante trouxe uma reflexão sobre o momento econômico e geopolítico, dizendo que “estamos vivendo uma ruptura da ordem econômica internacional e uma erosão dos organismos multilaterais, que são instituições construídas pela civilização para valorizar a diplomacia e a solução dos conflitos e criar regras que protejam os mais fracos. Na relação entre fortes e fracos a liberdade oprime, é a lei que protege. Esses mecanismos já vinham de um desgaste porque a ONU não dava respostas às dificuldades”.
Mercadante também caracterizou o momento como de declínio do Ocidente e ascensão da Ásia. “Esses 40 anos de neoliberalismo e insistência na ortodoxia neoliberal levaram o Ocidente a esta situação. A União Europeia e os Estados Unidos buscam respostas para repensar o lugar do Estado e reagir à perda de relevância econômica, tecnológica e de inovação”. Ele também alertou para a transformação tecnológica acelerada e os riscos de uma nova dependência estrutural. Para ele, o avanço das big techs e da inteligência artificial exige uma resposta estratégica dos países do Sul Global. “Se não nos movimentarmos rapidamente para produzir inteligência artificial e não sermos apenas consumidores passivos, viveremos uma nova forma de neocolonização cultural”, disse, defendendo investimentos em inovação, ciência e soberania digital e destacando que o BNDES está atento e tem olhado para estes temas com muita atenção.
Dentro deste contexto, Mercadante afirmou que sente muito orgulho de ver o Presidente da República ir à Assembleia Geral da ONU e dizer que a nossa soberania e o estado democrático de direito são inegociáveis e que o Brasil não iria se render ao tarifaço. “Ao mesmo tempo que afirma isso, ele sabe qual é a correlação de força e que tem que buscar caminhos de negociação para amenizar os impactos”, avaliou o presidente do BNDES. “Nós fizemos o Plano Brasil Soberano e tivemos que, em quatro meses, emprestar 19 bilhões de reais para empresas que foram impactadas e perderam mais de 50% do seu faturamento. Foi isso o que nós protegemos. Conseguimos retirar uma parte das tarifas, e o vice-presidente tem sido muito habilidoso, mas isso impactou a indústria e a desaceleração da economia”.
Ao tratar da conjuntura econômica brasileira, Mercadante destacou indicadores sociais e macroeconômicos positivos, relacionando crescimento econômico à expansão do mercado de consumo de massas. “O grande vetor do crescimento foi o emprego. Estamos com a menor taxa de desemprego da história, a menor informalidade, crescimento real da renda e a queda histórica do coeficiente de Gini”, afirmou. Ele também defendeu a queda sustentada da taxa de juros como condição para a retomada do investimento produtivo. “A Selic precisa cair logo, cair forte e de forma sustentável, para que possamos retomar um crescimento mais acelerado e estrutural da economia brasileira”, destacou.
Mencionando desafios contemporâneos, o economista observou que o Brasil precisa de investimentos estruturantes e mais competitividade na indústria. “Não podemos nos acomodar com o mercado de consumo de massa como vetor. É o investimento que dá o crescimento sustentado de longo prazo e que alavanca a modernização da economia”, argumentou. “O BNDES é a casa do desenvolvimento do Brasil. Sempre foi. Um banco público não pensa no curto prazo, pensa no futuro do país, na indústria, na inovação, na sustentabilidade e na soberania nacional. O BNDES tem tido atuação decisiva em áreas como reindustrialização, transição energética, inovação tecnológica e enfrentamento às mudanças climáticas”.
Mercadante também vinculou desenvolvimento econômico à democracia e ao fortalecimento do Estado. “Precisamos de instituições fortes, regras claras e um Estado capaz de liderar projetos estratégicos. Sem isso, não há desenvolvimento, não há soberania e não há inclusão social duradoura”, pontuou. “O Banco está pegando muitos programas e está entregando. Por quê? Porque são servidores bem pagos, reconhecidos, valorizados e com autoestima. Vamos acabar com essa discussão de apequenar o servidor público. Ele é essencial para uma sociedade da democrática com distribuição de renda, com desenvolvimento, com emprego”, finalizou o economista, dirigindo uma palavra final ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dedicando a ele o prêmio.
Aloizio Mercadante é economista formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado e doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor licenciado da PUC-SP e da Unicamp. Possui ampla experiência política e administrativa: foi deputado federal (1991-1995 e 1999-2003), senador (2003-2011), ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (2011-2012), ministro da Educação (2012-2014 e 2015-2016) e ministro-chefe da Casa Civil (2014-2015). Atualmente é presidente do BNDES.
BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (atual BNDES) foi criado em 1952 com a finalidade de ser o órgão formulador e executor da política nacional de desenvolvimento econômico. O “Social” foi acrescentado ao nome em 1952. Os primeiros projetos levados ao banco estavam relacionados aos setores de transportes e energia elétrica.
O banco teve um papel importante no I Plano Nacional de Desenvolvimento, lançado em 1971, priorizando a expansão do setor de bens de capital e a modernização da indústria e ocupando também um lugar de destaque em programas como o Proálcool e a expansão da rede de telecomunicações, além de grandes obras de infraestrutura. Na época, a instituição passou a contar com recursos do PIS/PASEP, o que permitiu um salto no volume de empréstimos.
A partir da década de 1990 a instituição passou a atuar no microcrédito e a ter uma classificação de risco ambiental para os projetos aprovados. Já na década de 2000 foi fortalecida a vertente social, com apoio a pequenos produtores e empreendedores. O banco também teve importante função anticíclica na crise financeira de 2008 e ocupou um papel importante nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento.
Em anos mais recentes, investimentos em energias renováveis permitiram construir um futuro mais sustentável e levar mais desenvolvimento a outras regiões do País. O BNDES também opera o Fundo Amazônia e o Fundo Clima, usados para financiar o uso sustentável da floresta (e o combate ao desmatamento) e a mitigação de efeitos das mudanças climáticas.
Vencedores anteriores das premiações
Ao receber o prêmio Personalidade Econômica do Ano, Aloizio Mercadante se une a um seleto grupo de economistas composto pelos seguintes nomes:
2024 – André Roncaglia
2023 – Gabriel Galípolo
2022 – Antonio Melki Junior (in memoriam)
2021 – Denise Lobato Gentil
2020 – Leda Maria Paulani
2019 – Paulo Sandroni
2018 – Tania Bacelar
2017 – Ladislau Dowbor
2016 – Antonio Corrêa de Lacerda
2015 – Eduardo Gianetti
2014 – Otaviano Canuto
2013 – Wilson Cano
2012 – Paulo Nogueira Batista Junior
2011 – Guido Mantega
2010 – Maria da Conceição Tavares
2009 – Antonio Delfim Netto
2008 – (não foi entregue)
2007 – Marcio Pochmann
2006 – Armando Dias Mendes
2005 – Reinaldo Gonçalves
2004 – João Paulo de Almeida Magalhães
O BNDES, por sua vez, recebe a honraria Destaque Econômico pelo segundo ano consecutivo. Os vencedores anteriores são: BNDES (2024); Fiocruz (2023); DIEESE (2018 e 2022); IBGE (2015, 2016, 2017, 2020, 2021); e IPEA (2013, 2014, 2019).
Fonte: COFECON – Conselho Federal de Economia
