
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasília
VÍNCULO 1685 – As empresas têm papel-chave no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e devem atuar em três frentes: prevenção, intervenção e acolhimento. A avaliação é do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa.
Ele participou do evento “Responsabilidade Empresarial no Enfrentamento ao Feminicídio, à Violência de Gênero e pela Transformação Cultural”, promovido pela Petrobras, governo federal e Banco do Brasil, no dia 31 de março, no Museu de Arte Moderna do Rio.
Para Márcio Rosa, o setor produtivo também deve provocar transformações culturais necessárias para enfrentar as causas do alto número de feminicídio no país. Ele afirmou que a violência de gênero não pode se restringir ao endurecimento da legislação penal, depois do fato consumado. “O foco deve ser agir antes, na prevenção, começando por estabelecer trabalho livre de violência”. No evento, o secretário defendeu também que as empresas cobrem as mesmas práticas de sua cadeia de fornecedores, “indo além de suas fronteiras”.
O secretário propôs que mulheres sejam protagonistas na construção de políticas internas encampadas pela alta gestão. “A cultura só muda quando vem acompanhada de ações cotidianas, concretas e naturais”, afirmou.
Ao reforçar o compromisso do ministério da Indústria com o tema, Rosa destacou que o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio também inclui o governo e a sociedade civil. Para ele, apenas a atuação conjunta romperá o ciclo de violência: “Essa não é uma pauta para amanhã, já deveria ter sido adotada ontem”, concluiu.
Durante o evento, a empresária Luiza Trajano, fundadora da Magazine Luiza, apresentou o Canal Mulher, criado para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica. O modelo foi criado depois que uma funcionária foi vítima de feminicídio, em 2017, e conta com suporte de psicólogos e advogados.
Ao longo dos anos, a empresa já chegou a pagar aluguel para uma funcionária sair de casa. A estratégia foi aperfeiçoada em 2019, quando o aplicativo da empresa para celulares incorporou um botão de denúncia que aciona o 180 imediatamente.
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