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Recordações de um benedense em Miami no ano 2000, por Israel Blajberg

Em fins de março de 2026, voo da DELTA de Guarulhos para Atlanta sofreu uma explosão na turbina logo após a decolagem, peripécia que me fez lembrar nosso voo da UNITED de Miami para o Galeão no ano 2000.

O último dia de viagem foi uma tremenda correria. Eu, fortemente gripado, no carrega e descarrega malas, duas horas na fila do check-in, e finalmente embarcamos. Com 10 minutos de voo, comecei a enjoar, vontade de ir ao banheiro. Me levantei para tirar o casaco, e depois não lembro de mais nada. Abri os olhos e estava deitado no corredor,  os comissários nos alto falantes perguntando em várias línguas se havia médicos a bordo, todos os passageiros em pé me olhando, e eu olhando para eles lá no alto. O avião estava em polvorosa, pois Marlene havia dado um grito mortal.

Ao acordar, levei alguns instantes para descobrir o que estava acontecendo. Aí me dei conta que havia desmaiado. O comandante perguntou a Marlene se ela queria que o voo retornasse imediatamente a Miami, um comissário perguntou se eu falava português, comecei a suar frio como se fosse uma cachoeira. Lembrei que quando meu pai morreu, ele também estava suando assim na minha frente. Achei que poderia também estar tendo um infarto. Então pensei, devo me controlar, não posso entrar em pânico. Marlene estava tremendo e chorando na porta do banheiro; falei a reza que meu pai me ensinou quando eu tinha 5 anos, e pensei na prece dos viajantes que trazia comigo, aí melhorei e um médico tirou a minha pressão que estava baixíssima: 9×6.

O avião estava completamente lotado. O embarque foi uma enorme confusão. Um grande grupo de crianças de Belo Horizonte havia perdido a conexão de Orlando – saímos com três horas de atraso. Até ofereceram, já  dentro do avião, 800 dólares para voluntários que quisessem ir pela TAM no dia seguinte, com hotel e alimentação. Depois aumentaram a oferta para mil dólares.

Tendo melhorado, fiquei sentado, e umas cinco horas depois comecei a enjoar de novo, de repente sentia tanto calor que tirava a camisa, depois tinha tanto frio que colocava todos os casacos e mais o cobertor do avião e ainda assim ficava tremendo, com calafrios. De repente, a mesma coisa, abro os olhos e estou deitado no chão novamente. Agora a coisa foi mais leve, e felizmente faltavam apenas duas horas de voo para chegar no Galeão. No desembarque, a tripulação pediu a todos que deixassem a gente sair primeiro. Fiquei emocionado ao ver 300 ou mais pessoas sentadas sem se mexer, aguardando.

Então me colocaram numa cadeira de rodas, já nem podia andar direito, com a queda me machuquei no cotovelo, nunca havia me sentido tão mal. Fui levado para a ambulância na pista, e de lá  para o posto médico da Infraero, em seguida para a Emergência do HSVP, onde fiquei até à noite tomando soro, fazendo exames de sangue, raio X, tendo sido constatada uma pneumonia de base. Fiquei alguns dias muito cansado, sem a menor condição de ir ao Banco.

Até hoje fico muito sensibilizado ao recordar a oferta do comandante de retornar a Miami, o que seria um prejuízo gigantesco para a companhia. Tanto que de 2000 em diante quase sempre viajei pela United, que naquela época estava começando a operar no Brasil, com o fechamento da Varig e Pan Am.

Outra lembrança que me veio agora foi a do saudoso colega Marinho Urubatão, que ia muito a Miami, e até escreveu um livreto dando dicas de viagem. Ele tinha um amigo que morava lá, a quem me apresentou nos idos de 1980 para comprar um computador, no tempo que valia a pena trazer de fora. O amigo tinha também uma carrocinha de cachorro quente bem naquela região de lojas brasileiras. Um belo dia eu estava por lá quando alguém derrubou da carrocinha um pote enorme de mostarda, que se quebrou e formou um enorme lago de mostarda na calçada. Achei que aquilo ia ficar por isso mesmo. O dia inteiro as pessoas pisando em cima e deixando rastros pela calçada, mas o rapaz agiu rapidamente e a calçada logo ficou limpinha. Eu comentei com ele surpreso com a eficiência, ao que ele respondeu: se não limpasse a multa seria de 500 dólares, e o fiscal passa toda hora.

Outra lembrança de Miami é a de um grupo de pedintes em baixo de um viaduto. Paramos no sinal e eles vieram limpar o vidro do carro alugado. No ano seguinte, passamos pelo mesmo viaduto, mas não havia mais ninguém querendo limpar vidros. Apenas uma placa: Proibido limpar vidros. Multa: 500 dólares.

As lembranças de Miami são muitas, porque íamos todo ano com as crianças, até elas ficarem crescidinhas. Saudades… de Miami e do Banco!

Associação dos
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