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Redes Sociais e Saúde Mental na Terceira Idade, por Anne Albuquerque Sant Anna*

As relações pessoais são fundamentais em todas as fases da vida. O surgimento das redes sociais trouxe novas formas de comunicação, interação e entretenimento, impactando significativamente a vida dos idosos e influenciando aspectos sociais, emocionais e psicológicos.

O acesso ao mundo digital possibilita a manutenção de papéis sociais, o exercício da cidadania, a autonomia e a participação ativa na sociedade, promovendo uma vida mais integrada e ativa.

Para muitos idosos, as redes sociais são uma ferramenta essencial de comunicação, reduzindo o isolamento social e permitindo a manutenção de vínculos familiares e de amizade, especialmente em contextos de mobilidade reduzida ou distanciamento físico. Estudos indicam que a interação online contribui positivamente para o bem-estar emocional, aumentando a sensação de pertencimento e apoio social.

No Brasil, pesquisas mostram que o WhatsApp é a mídia social mais utilizada pelos idosos, seguido do Facebook (Araújo et al., 2018).

O WhatsApp se destaca pela simplicidade de uso, envio de áudios e interações mais pessoais, o que transmite maior segurança. Essas plataformas favorecem a inserção social, a criação de grupos de interesse e o fortalecimento de contatos individuais.

Entretanto, o uso das redes sociais também traz desafios à saúde mental. A dificuldade de adaptação às tecnologias, a exposição a notícias falsas ou negativas e a comparação social podem gerar ansiedade, frustração e insegurança. A baixa alfabetização digital aumenta a vulnerabilidade a golpes virtuais, causando estresse psicológico e perda de confiança. Além disso, o uso excessivo pode levar à dependência digital, interferindo nas atividades cotidianas e nos relacionamentos presenciais.

Quando utilizadas de forma consciente, as redes sociais estimulam a cognição, a autonomia e a participação social. Porém, o uso descontrolado pode contribuir para o sedentarismo e reduzir interações presenciais, prejudicando a saúde mental.

Por isso, é fundamental promover a inclusão digital dos idosos por meio de políticas públicas e ações educativas que incentivem o uso seguro e crítico das redes sociais. O apoio da família e de profissionais de saúde é essencial para que a tecnologia seja uma aliada na promoção da qualidade de vida.

Manter o equilíbrio no uso das redes sociais é essencial, priorizando o autocuidado e buscando ajuda quando necessário. A consciência dos impactos das plataformas digitais sobre a saúde mental é o primeiro passo para um uso mais saudável e produtivo.

(*) Anne Albuquerque Sant Anna é médica generalista e geriatra da FAPES.

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► As opiniões emitidas nos artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da AFBNDES ou do BNDES.

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