22 de novembro de 1975. Aprovado em disputado concurso, foi meu primeiro dia de trabalho. Há exatos 50 anos fui admitido no então BNDE. Começava uma vida nova aos 30 anos, junto com Marlene e as crianças, 1 e 2 aninhos… O Banco também era jovem, tinha sido criado pelo presidente Vargas há apenas 23 anos, em 1952 – uma das ilhas de excelência do Estado brasileiro, pontificando no cenário econômico nacional. Rio Branco 53. Como era tudo tão diferente… Nada de metrô nem celulares, a Internet não abria janelas para o Mundo… mal havia orelhões… Em 1989, mudamos para a Avenida Chile, já BNDES com o S de Social. Foram 36 anos até 2011…
Desfilam pelos meus pensamentos como em filme todos aqueles a quem admirei e convivi neste templo do desenvolvimento. Alguns já não estão mais aqui, precocemente afastados do nosso convívio. Mas quando uma criança nasce, seu destino já foi traçado por desígnios do Altíssimo, e nada poderá mudá-lo. O Eterno permitiu que chegasse até aqui, sobrevivendo a uma pandemia. O tempo passou feliz e depressa. Quisera ter sido Peter Pan… nunca me aposentar… morar para sempre no prédio encantado, voar com a Fada Sininho sobre o solo sagrado da Avenida Chile, viajar com o Grupo de Análise para a Aldeia dos Índios, encontrar os Meninos Perdidos na Árvore Ôca… Mas o mundo não para … segui meu destino.
Havia algo estranho no ar nos primeiros dias de aposentado. Sim, era verdade. Acabou. Mas eis que despontou a Primavera… renasceram as flores… renasceu a vida… saí feliz, assim como quando entrei. Durante 36 anos jamais o trabalho nessa Casa se assemelhou ao castigo bíblico: “…ganharás o pão de cada dia com o suor do próprio rosto…”. Não há mais volta. O Eterno permitiu muitas alegrias, poucas decepções. A vida se repete. Depois do Banco, novo começo, uma janela que se abriu iluminando o porvir.
