
VÍNCULO 1692 – O Giro Benedense entrevista, na edição desta quinta-feira (21), o arquiteto Fernando Newlands, futuro presidente da AFBNDES, eleito pela chapa “União para Reconstruir”, que venceu, em 7 de maio, a eleição para a Diretoria da Associação (mandato 2026- 2028). Atualmente trabalhando na AS/DEURB/GEURB2, Newlands está no BNDES desde 2012, quando se filiou à AF. Vice-presidente da entidade de 2020 a 2024, também ocupou a Diretoria Institucional de 2018 a 2020 e vários mandatos no Conselho Deliberativo.
Giro Benedense – Foi histórica a eleição que renovou a Diretoria da AFBNDES para o biênio 2024-2026. Houve recorde no número de votos na chapa “União para Reconstruir” (1.196). Também houve recorde no número de associados envolvidos no processo eleitoral, com 1.743 votantes. Como vocês avaliaram esse resultado?
Fernando Newlands – Se minhas contas não estiverem erradas, na eleição de 2024 foram 1429 votantes. Neste ano, 314 votantes a mais. Uma diferença muito relevante. E este foi um processo eleitoral desafiador, tanto para a organização de uma chapa quanto para a execução da campanha. Com um calendário antecipado em relação aos pleitos da última década. E com três feriados dentro do calendário, não era fácil colocar a eleição no centro da atenção dos colegas.
Entendemos que esta participação recorde, em grande parte, foi decorrente da entrada dos mais de 500 novos(as) associados(as), entre os mais de 600 novos(as) colegas no Banco. Um grupo muito articulado e mobilizado por uma agenda complexa de questões graves que precisam ter suas resoluções encaminhadas o mais rápido possível. Mas não somente por isto, porque do lado dos(as) colegas PECS e PUCS também estamos passando por um momento muito importante. Questões sensíveis, como a migração no PBB e as ações de incorporação, se encaminham para momentos decisivos. Acho que esta soma de questões colocou as propostas das chapas e a campanha em evidência.
O fato de serem somente duas chapas concorrendo, não tendo espaço para dispersão de votos, também foi um fator importante para o resultado da votação que recebemos. Em nenhum momento da campanha imaginamos que o resultado pudesse ser como foi. Tivemos indícios de que nossas propostas estavam sendo bem aceitas entre os(as) colegas, mas de forma alguma isto nos dava certeza sequer de uma vitória. Por isso, mantivemos o foco até o final do dia da votação, buscando conquistar o voto consciente de cada colega.
Giro – Há temas que estão na ordem do dia no BNDES, como a migração voluntária do PBB-BD para o PBB-CD, a situação dos porta-joias, a gestão do PAS, os desdobramentos da luta pela incorporação de função, os pleitos dos empregados do NM do PECS, as demandas dos novos funcionários do Banco (NPCS), os anseios dos anistiados e do pessoal do “grupamento C” e os impactos da aposentadoria compulsória. Qual a estratégia de vocês para o enfrentamento dessas questões, dentre outras que afligem o corpo funcional benedense?
Newlands – Entendemos que, além da construção do ACT, podemos trabalhar desde já colaborando para a resolução de algumas destas questões: a migração, o NPCS e a incorporação. A mais premente, de fato, é a migração, porque, em seu cronograma, o período de opção termina logo após a posse, no início de julho, e o processo finalizará em setembro. Na última reunião do CD, discutimos sobre o assunto e ficou claro não haver interesse em inviabilizar o cumprimento do acordo feito com o TCU. Mas existe uma série de questionamentos que precisam ser respondidos pela FAPES e pelo Banco para que todos(as) tenham clareza de quanto do processo foi bem desenhado.
Mas, para nós, o maior problema de RH no Banco hoje, e que queremos trabalhar desde a transição, está na estrutura do NPCS. Os estudos que os(as) colegas da Comissão NPCS nos apresentaram indicam que existem questões cujas soluções podem ser encaminhadas sem negociações coletivas e sem ter que romper grandes barreiras. Quanto mais conseguirmos avançar nestes pontos antes do ACT, melhor.
Sobre a incorporação, temos compromisso com a questão desde o seu primeiro dia. As ações foram iniciadas em gestões anteriores das quais participei. Seguiremos lutando pela garantia do direito à incorporação no PECS até a resolução final da questão. Para isso, foi muito importante estruturar a proposta da Comissão de Assuntos Jurídicos e poder contar com uma colega que ficará dedicada à questão.
Também foi importante assumir o compromisso de instituir a Comissão de Nível Médio, que foi proposta pelo GT NM e não foi implementada, para construir um espaço institucional na Associação para tocar as suas pautas, começando por buscar viabilizar as outras propostas do GT NM que não saíram do papel.
O desdobramento da questão dos(as) porta-joias estará muito vinculado ao resultado da migração. De toda forma, entendemos que enquanto houver colega pagando joia majorada dentro do BD, o limite de uma contribuição extraordinária para um eventual PED será dado pelo comprometimento da renda destes participantes. Quando assumirmos a AFBNDES, vamos procurar a AFJoia e buscar construir uma estratégia para acompanhar esta questão de perto.
Por fim, as questões dos(as) anistiados(as), do grupamento C e a “expulsória” têm suas especificidades. Depois de uma paralisação do julgamento da aposentadoria aos 75 anos no STF, a Câmara aprovou na semana passada uma regulamentação que agora seguirá para o Senado. Para os(as) colegas anistiados(as) e do grupamento C é uma questão de dignidade no trabalho.
Giro – Este ano teremos a negociação para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho, no âmbito do BNDES, e da Convenção Coletiva de Trabalho, que envolve a categoria bancária como um todo. Como será conduzido esse processo?
Newlands – Como afirmamos na campanha, a negociação do ACT 2026 terá papel central na nossa estratégia de atuação. Quanto mais organizados estivermos, maiores as chances de conquistarmos avanços, que estarão garantidos pelos próximos dois anos, nos dando uma certa tranquilidade para nos preparar para as lutas futuras, seja em qual conjuntura política estivermos. Já registrei que nos colocamos junto ao presidente Jorge Schettini para participar da organização do Congresso dos Empregados do BNDES, que deve ocorrer em junho e fará parte do calendário da Contraf-CUT. Também precisamos nos aproximar das demais Associações, do Sindicato e da Contraf-CUT desde já para iniciarmos o processo de construção da Pauta de Reivindicações. Já entrei em contato com o presidente do SEEB-Rio, José Ferreira, e o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, para marcarmos uma primeira conversa ainda esta semana. Por sinal, nesta semana a Federa-RJ realizará a sua 6ª Conferência Estadual. Como sindicalizado, estarei lá.
Giro – No programa da chapa, foi proposta a criação de cinco comissões permanentes para apoiar o trabalho da diretoria e a iniciativa relacionada aos empregados das Representações. Como se dará isso?
Newlands – Nossa proposta é fazer uma gestão ampla e inclusiva, que garanta espaços de participação para os(as) colegas na Associação. A proposta da criação das comissões foi a forma que encontramos, dentro do que já existe na estrutura atual da Associação, de garantir este espaço. Inicialmente, elas serão criadas para durar por todo o mandato. Como faz parte do programa retomar os estudos de atualização e de reforma do nosso Estatuto, haverá a possibilidade de melhorar a institucionalidade das comissões que, atualmente, é muito precária.
Quanto à proposta de criação dos(as) representantes de base, foi a forma que encontramos para abrir um canal direto de representação para todos os escritórios. Já tivemos diferentes arranjos na história da Associação, desde uma diretoria de Representações até grupos com participantes dos diversos escritórios. Mas sempre houve a dificuldade de organizar os(as) colegas, ouvir suas questões e encaminhar soluções. Com esta proposta queremos mobilizar os(as) colegas dos escritórios, não de cima para baixo, mas desde as bases. Em cada escritório, associados(as) poderão se candidatar e ser eleitos(as) por seus pares. Além de mobilizar, este processo dará visibilidade aos(às) representantes e facilitará a comunicação. Poderão levar diretamente à Diretoria as suas questões.
Giro – Vocês também destacaram o trabalho de fortalecimento da imagem do BNDES junto à opinião pública e a atuação junto ao parlamento e aos órgãos de controle. Já têm alguma iniciativa em mente?
Newlands – O trabalho que a gestão Mercadante faz para a melhoria da imagem do Banco tem sido importante. Temos plena consciência disto. Mas sabemos que um trabalho de desconstrução de imagem pode ocorrer de uma maneira muito mais rápida. Entendemos que as posições críticas à atuação do BNDES permanecem. Tanto que no cenário político há candidaturas que seguem defendendo o chamado “Estado mínimo”, que coloca em xeque o papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico.
Como funcionários(as) de uma empresa pública, entendemos que devemos defender a instituição e o seu papel. Não uma administração ou outra. Também não vemos como defender os(as) benedenses(as) sem defender o BNDES. Neste sentido, devemos agir na sociedade como formadores de opinião. Para isso, precisaremos reconstruir a estrutura de apoio que a Associação havia construído para nos dar a capacidade de intervir no debate público. São questões que vão passar pelas atuações das diretorias de Comunicação, Assuntos Institucionais e Assuntos Parlamentares.
Ter uma assessoria de imprensa profissional para acessar os meios de comunicação é fundamental. Ter uma assessoria parlamentar profissional, que acompanhe de perto o dia a dia dos projetos no parlamento e nos abra espaço nas bancadas, é importante. Voltar a “falar” com o público externo é essencial. Já apoiamos programa de rádio e produzimos um podcast sobre desenvolvimento econômico, que teve um papel importante neste sentido. Estudaremos a conjuntura atual e avaliaremos qual será o melhor caminho.
Giro – Políticas de inclusão e diversidade foram amadurecidas nos últimos anos no BNDES, com forte ação da AFBNDES apoiando diversas comissões temáticas. O que pensa a nova gestão a respeito?
Newlands – Não é de hoje que acreditamos que estas bandeiras são importantes para a maioria dos(as) colegas. Entendemos que estas lutas devem ser públicas para alcançarmos uma maioria consciente em suas defesas. Por isso, no nosso programa apresentamos como um dos principais pontos para a Diretoria de Diversidade a construção de uma estratégia para tornar a AFBNDES um canal de escuta, acolhimento e compartilhamento tanto para benedenses(as) quanto para a sociedade com propostas relacionadas à diversidade e à inclusão no Banco. Também será uma ação importante desta Diretoria institucionalizar, na governança da Associação, o trabalho das Comissões. A estrutura de governança hoje é muito precária. O desafio aqui é fazer isto sem tutelar as comissões. Sem impor de cima para baixo. Que permaneça a liberdade para se auto-organizar, mas que haja uma vinculação mais institucionalizada com a estrutura da Associação. Por exemplo, sem planos de ações mais definidos fica difícil até destinar um orçamento que as viabilize.
Giro – E as ações da AFBNDES voltadas para assistidos e pensionistas, como se desenvolverão?
Newlands – Eu vejo que assistidos(as) e pensionistas são associados(as), assim como os(as) ativos(as), que têm interesses específicos. Que tem um foco de atenção na FAPES – plano de saúde e previdência – e um interesse por espaços de convivência e congraçamento, por óbvio, fora do ambiente de trabalho. Neste sentido, o Clube e a Pousada ganham relevância. Com relação à FAPES, propomos uma Diretoria de Saúde e Previdência que terá a função de atuar na defesa dos direitos de assistidos(as) e pensionistas, visando manter seu poder de compra e a saúde financeira do plano. Mas não somente isso. No que diz respeito ao PAS, vamos acompanhar de perto a revisão dos valores da prestação de serviços de saúde, otimizando a estrutura de custos, o que nos ajudará na defesa da autogestão no futuro. E acompanharemos de perto a estrutura da rede conveniada, cobrando melhoria e ampliação.
Sobre os espaços para convivência e congraçamento, não se trata somente dos espaços físicos do Clube e da Pousada, mas também de um olhar específico para os interesses destes colegas. Gerar propostas de eventos, programações, atividades em grupo que atendam às suas expectativas. A proposta de criação das comissões sociocultural e de esportes ajuda a abrir espaço para uma participação direta, tanto que temos nomes de colegas assistidos(as) que aceitaram este convite na primeira hora. E elas poderão estar abertas para novos(as) interessados(as).
Giro – Em relação às unidades de lazer da AFBNDES, às atividades socioculturais e esportivas e à governança da entidade, quais são os planos da nova gestão?
Newlands – Sobre as unidades – Clube e Pousada – entendo que passa primeiro por uma definição dos órgãos diretivos da AFBNDES, entenda-se Diretoria e CD, do nível de subvenção que devem receber. O segundo ponto seria ter uma visão de futuro, em médio e longo prazo, para que a Associação defina quais são os passos que devem ser dados para se chegar lá.
Sobre a gestão das unidades, a ideia é trabalhar com profissionais contratados, mas o nível decisório estará na Diretoria. E, na nossa concepção, as diretorias Administrativa, Patrimonial e Financeira vão acompanhar em conjunto. Estas unidades não são autossuficientes. O Clube tem mais possibilidades de gerar recursos do que a Pousada pela quantidade de espaços e atividades que podem virar negócios. Mas, quanto mais negócios forem gerados, restarão disponíveis para os(as) associados(as) menos espaços e por menos tempo. Por isso, propomos que a linha de atuação para as comissões sociocultural e de esportes seja de ocupação com atividades voltadas para os(as) associados(as), sob a coordenação da Diretoria Sociocultural. Então, temos que buscar um balanço entre nível de subvenção e quantidade de negócios gerando recursos para tal, com a disponibilidade dos equipamentos para o uso dos(as) associados(as). Alcançando algo assim, teremos uma estrutura de custos previsível, podendo organizar a programação de manutenções corretivas e preventivas e mesmo investimentos mais vultosos para construir a visão de futuro seja ela qual for.
Sobre governança, valem as propostas que fizemos para o Comitê de Ética e Conformidade, para a Ouvidoria independente, para a reforma e atualização do Estatuto, melhorias dos regulamentos, atualização de contratos com cláusulas de nível de serviço (SLA), todo um escopo de trabalho da Comissão de Assuntos Jurídicos, e na necessidade de aumentar a transparência da Associação, onde vamos criar o Portal da Transparência e melhorar nossas ferramentas digitais, que estará sob a gestão da Diretoria de Tecnologia de Informação.
Publicado originalmente no Giro Benedense nº 44, de 21/05/2026.
