
VÍNCULO 1701 – Matéria publicada no site da Central Única dos Trabalhadores (CUT) alerta que as mulheres negras brasileiras seguem sendo as principais vítimas de feminicídio no país. “Elas representaram 62,6% das vítimas desse tipo de crime, evidenciando que a violência de gênero afeta de forma mais intensa mulheres expostas às desigualdades raciais, sociais e econômicas”.
Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que analisou os registros de feminicídio entre 2021 e 2024. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum. O número corresponde a uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
O tema ganha ainda mais destaque neste mês, marcado pelo Julho das Pretas e pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
O perfil das vítimas
Embora o feminicídio atinja mulheres de diferentes perfis, os dados revelam um impacto desproporcional sobre as mulheres negras. Enquanto elas representaram 62,6% das vítimas entre 2021 e 2024, as mulheres brancas corresponderam a 36,8% dos casos.
Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Atlas da Violência 2026 também apontam que as mulheres negras apresentam taxas de homicídio superiores às das mulheres não negras, indicando que as desigualdades raciais permanecem entre os fatores associados à violência letal.
Além disso, elas concentram maiores índices de pobreza, desemprego, informalidade e baixos rendimentos, enfrentando mais dificuldades de acesso à moradia, à assistência jurídica, aos serviços públicos e às redes de proteção.
Raça e gênero
Para a secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira, o enfrentamento ao feminicídio exige políticas públicas que considerem, de forma articulada, as desigualdades de gênero, raça e classe.
“O combate ao feminicídio exige políticas públicas que enfrentem de forma articulada as desigualdades de gênero, raça e classe. Isso significa fortalecer a rede de proteção às mulheres, ampliar oportunidades de trabalho decente, garantir acesso à saúde, à moradia, às creches, à educação e aos demais serviços públicos, criando condições para que as mulheres, especialmente as mulheres negras, possam viver com autonomia, segurança e dignidade”, afirma.
A dirigente destaca ainda que o Projeto de Combate ao Feminicídio desenvolvido pela CUT busca fortalecer a atuação sindical na prevenção da violência, na formação de dirigentes, no acolhimento de trabalhadoras em situação de violência e na articulação com a rede de proteção nos territórios.
Negociação coletiva no enfrentamento à violência
A secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, afirma que o enfrentamento à violência contra as mulheres também passa pela atuação do movimento sindical nas negociações coletivas e pela articulação entre diferentes organizações de mulheres.
“Nós orientamos que temas como a violência e o assédio sejam levados para as mesas de negociação coletiva, para que os acordos e convenções incluam cláusulas de proteção às trabalhadoras e medidas de prevenção.”
Segundo a dirigente, a CUT tem fortalecido a articulação entre mulheres de diferentes setores, como demonstrou a mobilização do 8 de Março, para enfrentar o machismo estrutural, o patriarcado e o racismo.
“Esse trabalho tem contribuído para ampliar o debate na sociedade e reforçar que comportamentos discriminatórios e violentos não podem ser tolerados”, afirma.
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