
Ex-diretor do BNDES falou sobre tomada de decisão, pressão e a importância da divergência em ambientes corporativos
VÍNCULO 1705 – O ex-diretor do BNDES, Ricardo Ramos, participou, na última quarta-feira (19), no Centro de Estudos do Banco, de um encontro promovido pela AFBNDES com o tema: “O BNDES por dentro: decisões, pressão e a pessoa por trás delas”.
A conversa marcou o início do “AFBNDES Convida”, iniciativa que buscará aproximar a comunidade do BNDES de profissionais que fizeram parte da história da instituição e que têm experiências e conhecimentos que podem contribuir para o debate sobre o Banco, o mundo do trabalho e o desenvolvimento de pessoas.
Ricardo Ramos soma mais de trinta anos de carreira executiva, boa parte deles à frente de operações de grande escala no BNDES. Foi chefe de departamento, superintendente e diretor da instituição. Atualmente, além de suas atividades profissionais, representa os participantes no Conselho Deliberativo da FAPES.
No dia 10 de agosto, ele lançou o livro “Presença sob Pressão: Liderança e autoconhecimento para decidir sem se perder de si”, publicado pela Editora Brasport, na Livraria Argumento, no Leblon, numa concorrida noite de autógrafos.
Experiência compartilhada
Ao longo da conversa de quarta-feira (19), Ricardo Ramos compartilhou experiências de sua trajetória no BNDES e refletiu sobre os desafios enfrentados por profissionais que ocupam posições de liderança e participam de processos decisórios.
Um dos pontos centrais foi a importância da reflexão crítica. Para o ex-diretor, ambientes de trabalho precisam favorecer a expressão de diferentes pontos de vista, inclusive quando eles entram em conflito com a posição predominante do grupo.
Ricardo também abordou a pressão por consenso em processos coletivos de decisão. Segundo ele, a busca por uma concordância unânime pode, em determinadas situações, fazer com que opiniões divergentes deixem de ser apresentadas, justamente quando poderiam contribuir para uma decisão mais qualificada.
Outro tema discutido foi o desenvolvimento profissional e a importância de transformar experiências em aprendizado. Ricardo apresentou um modelo segundo o qual o desenvolvimento ocorre a partir de diferentes fontes: 70% pelo estudo e pela prática, 20% pelo aprendizado com outras pessoas e 10% pela reflexão sobre as próprias experiências.
As reflexões foram acompanhadas de relatos de situações vivenciadas por Ricardo durante sua passagem pelo Banco, incluindo sua atuação em comitês e na área social.
Ao falar sobre processos de decisão, compartilhou episódios em que precisou lidar com opiniões divergentes e com operações que considerava de risco. As experiências serviram como ponto de partida para discutir como a dinâmica dos grupos, as relações de poder e a pressão por resultados podem interferir na qualidade das decisões.
A experiência trouxe outra reflexão: soluções que funcionaram em determinado contexto nem sempre permanecem adequadas diante de novas circunstâncias. Para Ricardo, reconhecer a necessidade de mudar estratégias e avaliar de forma honesta o próprio desempenho também faz parte do exercício da liderança.
Ao abordar as relações profissionais, o ex-diretor destacou ainda a importância da confiança entre colegas, da clareza nos processos e da capacidade de promover uma contraposição construtiva.
A ideia é que equipes tecnicamente qualificadas também precisam de espaço para questionar, refletir e discordar. Para Ricardo, criar esse ambiente é uma responsabilidade importante de quem ocupa posições de liderança.






