
VÍNCULO 1706 – Os limites significativos à progressão de carreira impostos pelas regras do Novo Plano de Cargos e Salários do BNDES (NPCS), denunciados desde 2025 pelos benedenses recém-chegados, e os diversos problemas do Novo PAS (Plano de Assistência e Saúde), que tem baixíssimo nível de aprovação entre os novos empregados do Banco, estão tendo consequências drásticas, comprometendo a atratividade e a sustentabilidade do projeto profissional da instituição.
Os números confirmam a gravidade da situação: dos 810 profissionais convocados pelo BNDES, 117 desistiram antes mesmo de assinar o contrato de trabalho ou foram eliminados do enquadramento como PcD, e outros onze pediram demissão com pouco mais de um ano de casa. O índice de evasão já ultrapassa 15% – um patamar histórico e preocupante.
EM 74 ANOS DE BANCO, UM NPCS QUE TIVESSE ENTRADO NA INAUGURAÇÃO AINDA NÃO ESTARIA TOPADO!
A afirmação é forte, porém real. O número reflete a precarização da carreira, que hoje exige mais de 80 anos para que o empregado alcance o topo da tabela salarial, e o descontentamento com o plano de saúde, um dos principais diferenciais para atrair quadros de excelência no mercado corporativo.
Quem são esses profissionais que abdicaram de uma vaga depois de serem aprovados em um dos concursos públicos mais concorridos do país? O que impulsionou a decisão extrema daqueles que optaram pelo pedido de demissão?
Razões para a evasão – O que dizem os desistentes
A AFBNDES e a Comissão dos Novos Empregados do BNDES entraram em contato com nove profissionais, entre desistentes e demissionários, buscando razões para a evasão.
• O engenheiro Márcio Stabile Kogos, de 43 anos, residente no Rio Grande do Sul, optou por não assumir o cargo no BNDES e escolheu a Auditoria Fiscal do Trabalho. A lentidão na progressão da carreira no Banco e o alto custo do plano de saúde foram determinantes para a decisão. Segundo Márcio, na Auditoria Fiscal é possível alcançar o topo funcional de forma “muito mais rápida”.
• Um advogado do Rio de Janeiro, de 39 anos, optou por não assumir o cargo no BNDES devido aos custos do plano de saúde, à ausência de honorários advocatícios e à falta de atratividade do NPCS. O profissional, que não quis se identificar, ressalta que na Justiça Federal o topo da carreira é alcançado de forma muito mais rápida. Apesar da decisão, ele destaca o papel estratégico da instituição: “Trabalhar nos grandes projetos do país é algo que deve dar orgulho a qualquer um. A carreira precisa ser valorizada, pois sua relevância merece atrair e reter os melhores profissionais de cada área”.
• O advogado Gabriel Arbilla Klachquin, de 32 anos, pediu demissão do BNDES após ser aprovado no concurso para juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Ele classifica a carreira NPCS como “defasada e sem perspectiva de melhora”, citando a defasagem salarial em relação ao Judiciário, a ausência de honorários advocatícios, o plano de saúde caro e uma progressão funcional que inviabiliza alcançar o topo. O ex-empregado também criticou os critérios para promoção e o modelo de home office, que considerou discriminatório, em relação ao primeiro ano.
• Uma advogada de 25 anos pediu demissão do BNDES para assumir um cargo em órgão do Poder Executivo do Paraná. Ela aponta que a decisão foi motivada por um conjunto de fatores, como salário inicial superior, pagamento de honorários, auxílio para plano de saúde, instalações superiores e maior diversidade para sua atuação, além da flexibilidade no regime de trabalho e do home office. “O NPCS teve muitas perdas em relação ao PECS, tornando a carreira do Banco bem menos competitiva”, destacou. Respeitosa em relação à instituição e aos colegas, a profissional, que não quis se identificar, concluiu de forma otimista: “Faço votos para que o NPCS melhore cada vez mais, propiciando aos membros dessa carreira excelentes condições para perpetuar o BNDES como uma instituição de excelência, a qual me orgulho de ter integrado”, concluiu.
• Outra advogada de 38 anos, que optou por não assumir a vaga no BNDES, aponta a lentidão para alcançar o topo da carreira como fator decisivo. Em seu cargo atual em órgão do Executivo do Estado de São Paulo, ela garante que a ascensão profissional ocorre em menos tempo. A profissional, que não quis se identificar, destaca ainda como vantagens a proximidade com a família, um modelo de home office mais flexível — com apenas dois dias presenciais por semana — e um salário mais atrativo, “mesmo sem ocupar cargo em comissão”.
• O engenheiro Marcelo Nuno Carneiro de Sousa, de 53 anos, optou por continuar no Banco Central, onde já alcançou o topo da carreira. A decisão de recusar a vaga no BNDES, mesmo após a realização de exames admissionais, foi motivada pela decepção com o plano de cargos e salários do Banco, além dos altos custos da assistência médica. Apesar da escolha, o profissional demonstra confiança que o BNDES não manterá o NPCS como está: “Me arrependi de não ter assumido, pois acho que o BNDES vai ter que reverter em algum momento esse PCS horrível e a carreira vai melhorar”.
• Um analista de sistemas de 55 anos, servidor do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), que preferiu manter o anonimato, abriu mão de trabalhar no BNDES devido à localização do Banco, ao alto custo do plano de saúde e à precarização da carreira. Ele aponta que a progressão funcional no MPO é significativamente mais rápida. “Já era servidor público federal estatutário e no concurso de Analista de Planejamento e Orçamento (APO) entramos no BIII (R$ 25.002,32) – com poucos anos atingimos o teto da carreira, comparado com os muitos anos do BNDES”, destacou.
• O engenheiro Fernando Jaoar Veloso da Silva, de 35 anos, pediu demissão do BNDES por considerar a carreira NPCS excessivamente longa e desprovida de benefícios presentes em planos antigos, como dias fruitivos e flexibilidade para acompanhar dependentes em tratamentos de saúde. Além disso, o ex-empregado apontou o alto custo do plano de saúde e uma gestão focada no controle de jornada em vez de resultados, citando a limitação do home office e a rigidez no uso do banco de horas (código 95). Embora elogie a estrutura do Banco e a convivência com os colegas, Fernando ressalta que as desvantagens funcionais foram determinantes para sua saída: “Caso a carreira NPCS fosse um pouco melhor, muito possivelmente eu não tivesse feito esta opção”.
• Um auditor fiscal de 32 anos, que preferiu não se identificar, avalia que sua carreira atual oferece uma ascensão mais rápida que a do BNDES. Ele afirma que trocar de órgão hoje não valeria a pena devido ao trânsito, à segurança e à qualidade de vida de sua cidade. Entre os pontos problemáticos do BNDES, o contador destacou o custo do plano de saúde, a falta de flexibilidade de horário, o home office e a progressão funcional lenta. “Espero que consigam melhorar a carreira e sejam felizes. Se isso acontecer, tentarei novamente em um próximo concurso”, concluiu.
Dessa forma, a trava na evolução profissional e o descontentamento com a assistência à saúde tornaram-se os principais fatores de desgaste, minando a capacidade do BNDES de reter seus talentos e colocando em xeque a futura excelência da instituição.
É preciso melhorar a carreira com urgência, para reter os profissionais que seguem na instituição. Deixá-los focados em sua atuação no Banco, sem terem motivos para buscar outros concursos. Isso é estratégico para o que será o BNDES do futuro!
(*) Publicado originalmente no Giro Benedense nº 49, de 27/08/2026.
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