
VÍNCULO 1706 – A SEST (Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais) autorizou a realização do novo concurso para o BNDES com base em um conjunto de medidas que já assegurava uma economicidade estimada em cerca de R$4,8 milhões por empregado ao longo de uma carreira de 40 anos. Entretanto, o Banco decidiu avançar muito além desse parâmetro, promovendo restrições adicionais no Novo Plano de Cargos e Salários (NPCS) que elevaram a economia projetada para mais de R$10 milhões por empregado.
Ao ultrapassar o valor inicial aprovado, o Banco gerou um problema que cobra um preço alto: eliminou a perspectiva de progressão funcional no NPCS. Decisões como essa frequentemente sacrificam ativos institucionais imensuráveis: ao comprometer a atratividade para novos talentos e fragilizar a autonomia do seu corpo técnico, o BNDES não está apenas reduzindo custos – está enfraquecendo sua própria capacidade de atuar como instituição de Estado. A pergunta que fica para a gestão e para todos os empregados, portanto, é: qual futuro queremos construir para o Banco?
A excelência do BNDES nunca foi um dado abstrato ou uma conquista ocasional. Ela é o resultado direto de gerações de profissionais altamente qualificados que enxergaram no BNDES não um simples empregador, mas o motor do desenvolvimento econômico e social do Brasil. É esse corpo funcional, respeitado internacionalmente por sua idoneidade e rigor analítico, que garante a travessia segura da instituição diante das intempéries dos ciclos políticos e econômicos desfavoráveis.
A recente e louvável iniciativa da atual gestão, sob a liderança do Presidente Aloizio Mercadante, de realizar um novo concurso público reafirmou essa vocação. O certame atraiu quadros técnicos de alta performance, homens e mulheres que escolheram o BNDES por compreenderem o seu papel insubstituível na formulação e execução de políticas de Estado de longo prazo.
Contudo, a estrutura que acolhe essa nova geração de empregados traz consigo essa assimetria preocupante. Quando dois profissionais ocupam o mesmo cargo, exercem as mesmas atribuições e entregam o mesmo valor institucional, mas são submetidos a estruturas de carreira discrepantes e um deles à ausência de progressão, o tecido de coesão interna sofre uma ruptura.
O superávit de contenção produzido desnecessariamente pelo BNDES carrega em si efeitos colaterais que podem ser severos. O risco institucional é real, pois essa escolha (i) sufoca a atratividade do BNDES, tornando-se uma etapa de passagem, (ii) causa o enfraquecimento da memória técnica, por desestimular a fixação de longo prazo, fragilizando a transmissão do conhecimento estratégico acumulado e (iii) gera vulnerabilidade institucional, pois diante de um novo corpo técnico desvalorizado, perde-se gradativamente a força coletiva necessária para resistir a pressões conjunturais e manter o vigor das políticas públicas.
Esta reflexão não opõe a gestão aos seus empregados, tampouco divide os colegas do plano anterior (PECS) daqueles que ingressam pelo NPCS. Trata-se de um chamado à responsabilidade compartilhada por todos os que prezam o BNDES. Aos colegas de carreiras consolidadas, cabe o reconhecimento de que a força de seu próprio legado depende da solidez dos que chegam agora. À Diretoria e à Presidência, cabe a sensibilidade política e gerencial de calibrar a estrutura de carreira para que a austeridade necessária não comprometa a perenidade do maior Banco de Desenvolvimento do continente.
A escolha que se impõe hoje não é entre responsabilidade fiscal e valorização de pessoal, mas sim sobre o tamanho e a relevância do BNDES que legaremos ao futuro do Brasil.
(*) Publicado originalmente no Giro Benedense nº 49, de 27/08/2026.
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