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Negociação 2026: Carta Aberta do NM PECS aos benedenses

Prezado Presidente Aloizio Mercadante, Prezada Diretora Helena Tenório, Prezados(as) Diretores(as), Prezados(as) Benedenses,

Em 13/08/2026, o jornal Giro Benedense, da AFBNDES, publicou o artigo “Uma Força Tarefa para o Nível Médio ou o Sintoma de uma não-convocação”, escrito por um colega do segmento de Nível Médio (NM). O texto expressou, com coragem, uma insatisfação que há muito tempo atravessa nosso cotidiano no Banco – e que raramente encontra espaço para ser dita. Ele não falou apenas por si: falou por todos nós.

Hoje, ao nos depararmos com a proposta de acordo no ACT 2026, assistimos a mais um novo capítulo desta série de longas temporadas de marginalização. Apesar de termos apresentado pautas que tratariam, de forma objetiva, diversas das demandas que acumulamos no decorrer de décadas, recebemos de volta apenas a proposta de uma Comissão dedicada a assuntos e processos que envolvam a carreira NM do BNDES. Trata-se de um projeto de comissão sem objetivo prático, sem finalidade e sem a prerrogativa de elaborar propostas para endereçar reivindicações históricas.

O que vivemos hoje não é mais uma sequência de episódios isolados. É um ponto de inflexão. Desde 2024, quando foi divulgado o novo Plano de Cargos e Salários (NPCS) sem qualquer cargo equivalente ao de Técnico de Suporte Administrativo, ficou claro que nossa carreira passou a existir apenas como legado, sem previsão de reposição, sem novos ingressantes e sem futuro institucional definido. O concurso público subsequente, restrito a cargos de Nível Universitário, apenas confirmou essa realidade.

Desde então, o que se observa é um padrão sistemático de desvalorização, que atravessa gestões, áreas e decisões administrativas. Não se trata de percepções subjetivas, mas de fatos concretos que comprometem nossa dignidade profissional, nossa saúde psicológica e nossa capacidade de contribuir plenamente com o desenvolvimento nacional.

O relatório do Grupo de Trabalho de Valorização do Nível Médio, concluído em dezembro de 2024, reconheceu expressamente que: “As atribuições previstas nos planos de cargos refletem cada vez menos a realidade laboral desses empregados.”

E também que:

“O quadro de nível médio sempre apoiou, dando suporte aos profissionais de nível superior, mesmo sem reconhecimento formal das atividades que desenvolvia.”

A seguir, alguns fatos que ilustram nossa situação:

· A reestruturação do PECS resultou em 22 níveis para NM e 19 para NU, sem explicação técnica apresentada.  

· O cargo de Coordenador de Serviço, historicamente o ápice da carreira NM, foi sendo retirado silenciosamente dos Técnicos Administrativos.  

· Há mais de uma década não há concurso para NM, e o concurso recente contemplou apenas NU.  

· Funções comissionadas do segmento NM que estavam vagas foram utilizadas para gerar saldo excedente destinado à criação de novas funções, o que travou não apenas nossa progressão, mas também nossa movimentação interna, já que parte relevante da nossa remuneração depende dessas funções.  

· Postos antes ocupados por NMs vêm sendo preenchidos por empregados NU, fenômeno que se agrava com a ausência de reposição do nosso quadro.

· Decisões que afetam diretamente nossa carreira e nossa remuneração têm sido tomadas sem comunicação clara – e, em alguns casos, sem comunicação alguma.

Esses fatos não são pontuais. São recorrentes. São estruturais.

Somos pouco mais de 300 empregados, representando cerca de 11% da força de trabalho do BNDES. Nossa luta é pelo reconhecimento do valor do trabalho que desempenhamos – trabalho que o próprio Banco já reconheceu como essencial.

O BNDES é uma instituição que historicamente protegeu seus empregados, valorizou a diversidade e acolheu pautas importantes. No entanto, as demandas do NM – que são antigas, documentadas e urgentes – permanecem sem resposta. Vivemos hoje um paradoxo: enquanto o Banco avança em tantas frentes de inclusão, nós seguimos invisíveis.

Por isso, lançamos o movimento Nenhum a Menos, com três objetivos centrais:

1. Dar visibilidade às situações de descaso que atingem o segmento NM.

2. Monitorar a saúde mental dos colegas, afetada por esse processo de apagamento institucional.

3. Lutar pela reconstrução da carreira, pela implementação das propostas do GT NM e pela participação efetiva do segmento nas políticas do Banco.

Não buscamos privilégios. Buscamos existir. Buscamos respeito. Buscamos reconhecimento. Buscamos participar do desenvolvimento nacional como BENEDENSES que somos.

Este é apenas o começo.

E esperamos contar com a empatia e a solidariedade de todos os benedenses e benedensas.

Associação dos
Funcionários do BNDES

Av. República do Chile, 100 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20031-170

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