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Um BNDES forte, nacional e presente em todo o Brasil, por Lavinia Barros de Castro

Defender um BNDES relevante é defender a capacidade do Brasil de construir seu próprio futuro. Isso exige coragem para afirmar: o tamanho importa. Existem 556 instituições de desenvolvimento no mundo, o BNDES ocupa a posição 23 nesse ranking. Somos uma instituição “Grande” – não somos um “Mega” banco, como é o caso do China Development Bank, do KfW, do European Investment Bank, apenas para dar alguns exemplos. Quando comparado internacionalmente, o BNDES é uma instituição relevante –  não é  “grande demais”.

O hiato anual de investimentos em infraestrutura é estimado pela ABDIB em cerca de R$ 218 bilhões (1,7% do PIB). Embora expressivo, esse hiato, representava 2,1% do PIB em 2022, caiu para 1,7% do PIB este ano. Ou seja, melhoramos, mas precisamos fazer mais – e não menos. O Banco Mundial estima a necessidade de investimento climático no Brasil em cerca de 1,2% do PIB ao ano até 2050. Segundo o IBGE, a taxa de investimento no Brasil está em 16,1% do PIB no segundo trimestre de 2026 (IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, 2º tri/2026) – esse nível de investimento mal repõe o estoque de capital.

Defender um BNDES forte não é corporativismo, mas sim compromisso com um país continental, marcado por desigualdades profundas, que não pode prescindir de instituições capazes de transformar políticas públicas em investimento, emprego e melhores condições de vida. Defender um BNDES forte é sobretudo compreender a emergência climática que vivemos e o papel do Banco na construção da transição energética e da adaptação climática, que exigem capital paciente em volume inédito de recursos.

O Brasil reúne matriz elétrica majoritariamente renovável, minerais críticos, biomassa e uma biodiversidade que poucos países podem oferecer. Transformar essas vantagens naturais em capacidade produtiva exige um banco que lidere a agenda junto ao governo, e não apenas a acompanhe. Essa agenda inclui promover a indústria de baixo carbono, que é uma oportunidade única para reverter a desindustrialização precoce que o país sofreu.

A transformação digital é outro campo em que escala e presença fazem diferença. Segundo a CNI, 31% das empresas industriais brasileiras ainda não usam sequer uma tecnologia digital no processo produtivo. Sem um Banco com escala e capilaridade, a digitalização ficará concentrada nas empresas maiores e nas regiões que já têm acesso a capital e conhecimento, e ampliará as desigualdades que o BNDES existe para reduzir.

Bancos de desenvolvimento não existem apenas para corrigir “falhas de mercado”: existem para criar e moldar mercados que ainda não existem. Precisamos, porém, do crédito em volume para fazer as grandes transformações estruturais da economia. Transformações estruturais exigem instituições fortes, recursos estáveis e visão de longo prazo.

Há ainda um papel que nenhum banco privado cumpre: o anticíclico. Foi o BNDES que sustentou o crédito em 2008-2009, na pandemia e, mais recentemente, na reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes. A economia brasileira está hoje bastante endividada, mas, diferentemente do passado, o endividamento das famílias e das empresas (não apenas do governo) está muito alto. Nessas condições, um ajuste fiscal puxado por cortes de despesas poderá intensificar em muito a desaceleração da economia e, num cenário extremo de crise de crédito, transformar-se em recessão.

Força não é apenas dinheiro. É presença. É conhecer as regiões, estar próximo das empresas, dos trabalhadores, dos governos, das universidades e das economias locais. É enxergar potencial onde tantos veem apenas distância, para que o desenvolvimento chegue a todos os cantos do país e não fique concentrado onde as oportunidades já existem. Os 680 novos empregados que chegam ao BNDES representam energia renovada para essa missão. Que encontrem uma instituição capaz de crescer, inovar e ampliar sua presença, sem perder a excelência técnica nem o compromisso público.

Não defendemos um BNDES maior por si mesmo. Defendemos um Brasil maior em suas possibilidades: um país que invista, produza, inove, reduza desigualdades e tenha condições de decidir seu próprio destino. O Brasil precisa de um BNDES à altura de sua grandeza, de suas necessidades e de seus sonhos.

Lavinia Barros de Castro | economista do BNDES

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