VÍNCULO 1714 – Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, o BNDES permaneceu praticamente ausente do debate público. Essa ausência pode refletir a escassez de discussões programáticas que marcou a campanha, mas também revela uma oportunidade: discutir o futuro do Banco para além das disputas eleitorais imediatas. O objetivo desta reflexão não é apoiar candidaturas, mas reafirmar a importância do BNDES para o desenvolvimento do país, para seus(suas) empregados(as) e para a construção de uma estratégia nacional de longo prazo.
Independentemente do resultado das eleições, o governo eleito terá de definir qual papel pretende atribuir à instituição. Não é possível discutir crescimento econômico, produtividade, transição climática ou redução das desigualdades sem enfrentar a questão do financiamento do desenvolvimento. Nesse contexto, o BNDES continua sendo o principal instrumento de que o país dispõe para apoiar investimentos de longo prazo, promover inovação e viabilizar projetos que muitas vezes não encontram suporte suficiente no mercado privado.
O Brasil precisa de mais, e não de menos, BNDES. Uma atuação mais restrita da instituição pode levar à redução de sua capacidade operacional, ao enfraquecimento de suas fontes de financiamento, à diminuição de sua carteira de ativos e à perda de relevância em áreas estratégicas, como comércio exterior, infraestrutura, inovação e sustentabilidade. Em vez de direcionar esforços para a retração do Banco, o país deveria debater como fortalecer sua capacidade de atuação e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento nacional.
Esse fortalecimento exige fontes estáveis de funding e um ambiente institucional capaz de garantir previsibilidade de longo prazo. Um banco de desenvolvimento não pode estar sujeito apenas às prioridades conjunturais de cada governo. A preservação dos mecanismos de financiamento que sustentam suas operações, bem como o aperfeiçoamento das condições de acesso a recursos de longo prazo, são elementos centrais para que o BNDES cumpra sua missão. Para tal, é preciso garantir a previsão de recursos previstos na Constituição Federal de 1988 – os empréstimos previstos no parágrafo primeiro do artigo 239 – e rever a determinação de sua taxa básica, hoje chamada de TLP.
Ao mesmo tempo, o Banco precisa estar inserido em uma estratégia nacional de desenvolvimento. O Brasil necessita retomar o debate sobre seu futuro produtivo e tecnológico, definindo prioridades para a reindustrialização, para a ampliação da competitividade internacional de suas empresas e para o fortalecimento de setores capazes de gerar inovação, empregos qualificados e maior valor agregado. Isso envolve tanto apoiar atividades nas quais o país já possui vantagens competitivas quanto desenvolver capacidades consideradas estratégicas para a soberania nacional.
Defender o fortalecimento do BNDES significa igualmente defender seu corpo funcional. A capacidade do Banco de gerar impacto para a sociedade depende da preservação de suas equipes, de seu conhecimento técnico acumulado e de sua autonomia profissional. Políticas que enfraqueçam a instituição afetam diretamente as condições de trabalho, as perspectivas de carreira e a capacidade de atração e retenção de profissionais qualificados.
A AFBNDES tem uma longa trajetória de defesa do Banco e de seus(suas) empregados(as). É sob essa perspectiva que considera essencial trazer essas questões ao debate público. Mais importante do que discutir o tamanho da instituição é refletir sobre o BNDES que o Brasil necessita: um banco capaz de ampliar a capacidade produtiva do país, estimular a inovação, apoiar a transição climática, reduzir desigualdades e contribuir para um desenvolvimento sustentável e soberano.
O BNDES pertence ao Brasil e deve permanecer a serviço do desenvolvimento nacional. Preservar sua capacidade de atuação, assegurar fontes estáveis de financiamento, fortalecer seu corpo funcional e construir uma estratégia de longo prazo para o país são compromissos que transcendem governos, partidos e ciclos eleitorais. Refletir sobre essas questões é refletir sobre o futuro e sobre o papel que o Banco continuará desempenhando na construção desse futuro.
Diretoria da AFBNDES
