
VÍNCULO 1699 – “O BNDES é um banco de desenvolvimento. Nós somos profissionais que pensamos no longo prazo. Temos que olhar para o futuro da Associação e do BNDES. A responsabilidade é grande, a gente sabe que o trabalho vai ser árduo, mas tenham certeza que da nossa parte não faltarão trabalho e empenho para pôr de pé as propostas que apresentamos no nosso programa. E, principalmente, para honrar cada um dos 1.196 votos de confiança que recebemos na eleição”. Assim o novo presidente da AFBNDES, Fernando Newlands, finalizou seu discurso na solenidade de posse da nova Diretoria da AFBNDES, no Auditório Reginaldo Treiger, no dia 1º de julho.
A posse da nova direção da Associação, eleita em 7 de maio num pleito histórico, que teve recorde na participação dos associados e no número de votos na chapa, marcou o início da gestão que estará à frente da entidade por dois anos, até 30 de junho de 2028.
Fernando Newlands reafirmou os compromissos da chapa “União para Reconstruir”, que agora serão postos em prática:
– Gestão ampla e inclusiva, que garanta espaços de participação no dia a dia da Associação, com a criação de diversas comissões temáticas (Assuntos Estratégicos, Assuntos Jurídicos, Nível Médio, Sociocultural e Esportes), bem como de um grupo de trabalho que irá elaborar o regulamento para a instituição de representantes de base nos escritórios do BNDES em Belo Horizonte, Brasília, Recife e São Paulo.
– Reforço na governança da entidade, com a expansão dos mecanismos já existentes, como o Comitê de Ética e Conformidade, e a criação de uma Ouvidoria Independente, além da necessária atualização do Estatuto da Associação.
– Transparência e diálogo, com a implantação do Portal da Transparência, que permita aos associados acesso às principais decisões da entidade.
– Defesa dos interesses dos associados e do BNDES, com o fortalecimento da entidade e de sua atuação institucional. “Não se trata aqui de defender uma administração ou outra. Não vemos como defender os benedenses e as benedensas sem defender o BNDES”.
O novo presidente da AFBNDES deu ênfase ao trabalho de transição que foi desenvolvido desde a eleição, destacando três pontos fundamentais: (1) o processo de migração voluntária do PBB-BD para o PBB-CD, “que será acompanhado até o final pela atual gestão, com suporte especializado para os participantes e para os representantes eleitos nos Conselhos da FAPES”; (2) a questão que envolve a incorporação de função (“A vitória alcançada ainda não está garantida e é preciso estarmos atentos e muito bem preparados”); e (3) a construção da Pauta de Reivindicações visando o Acordo Coletivo de Trabalho de 2026, estratégico para os novos empregados do Banco (“A luta no ACT será pela busca da isonomia entre os quadros funcionais da instituição”).
Durante seu discurso, Fernando informou que aconteceria, no dia seguinte, uma reunião com o RH do Banco para tratar da proposta do Acordo da Participação nos Lucros ou Resultados de 2026, que já havia sido apresentada à Contraf-CUT e às Associações. “Mais uma vez a representação dos empregados foi chamada a tomar conhecimento de uma proposta fechada e discutida em Brasília”, disse o presidente. “Este ano pretendemos permanecer em mesa para iniciarmos, desde já, a discussão da PLR de 2027. Queremos discutir a proposta desde a sua concepção, o que nunca conseguimos”.
Fernando Newlands também falou da necessidade de termos uma entidade qualificada para enfrentar os desafios presentes e futuros. Para ele, é preciso reconstruir ferramentas que nos garantam, nos momentos mais difíceis, espaços de diálogo com o parlamento, de forma particular, e com a sociedade como um todo: “Precisamos ter capacidade de intervir no debate público. Para isso, ter uma assessoria de imprensa para acessar os meios de comunicação é fundamental. Ter também uma assessoria parlamentar, que acompanhe de perto os projetos em tramitação e abra espaços nas bancadas, é importantíssimo”.
A vice-presidente da AFBNDES, Roberta Azevedo, complementou as palavras do presidente: “Esse é um momento muito especial. Endosso todas as palavras do Fernando porque esse realmente é o nosso projeto, e espero que a gente esteja à altura para representar os colegas que votaram e confiaram na nossa equipe e os demais associados. Agradeço a presença de todos que estão aqui no auditório e peço que lutem conosco, porque só o nosso grupo, a nossa diretoria, não vai fazer a diferença. A diferença só acontece quando há uma mobilização coletiva”.
O ex-presidente da AFBNDES, Jorge Schettini, fez o discurso de encerramento de sua gestão, parabenizando os novos diretores que estavam chegando e destacando o trabalho produtivo que foi realizado junto à administração do Banco (“Nesses dois anos, a gente conseguiu fazer muita coisa, o balanço é positivo”). Schettini ressaltou a grande participação dos associados na última eleição, o que, segundo ele, valoriza o trabalho coletivo capitaneado pela Associação, “que precisa ser sempre fortalecida”.
Schettini citou o alto índice de filiação dos novos empregados do Banco, que foram muito bem recebidos pela AFBNDES. Elogiou os empregados da Associação, os escritórios de advocacia que prestam serviço para a AF, a assessoria parlamentar, as entidades sindicais parceiras e os demais diretores da gestão 2024-2026.
Solenidade concorrida
Muito concorrida, a solenidade de posse contou com as presenças do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, da diretora responsável pela Área de Recursos Humanos do Banco, Helena Tenório, e do diretor-superintendente da FAPES, Jason Nogueira.
Mercadante lembrou do aniversário de 74 anos do Banco e festejou os avanços dos últimos anos: “O BNDES hoje é uma instituição de amplo reconhecimento. Em todas as pesquisas de imagem, nós estamos batendo recorde de avaliação e de reconhecimento entre as 100 maiores empresas do país. A nossa marca ganhou prestígio. Temos a melhor avaliação entre os bancos de desenvolvimento do planeta”. De acordo com o presidente, a instituição é considerada a mais transparente da República brasileira. “Não é qualquer coisa para um banco que era atacado como ‘caixa-preta’. E a transparência mostra que esse banco nunca teve nada a esconder”.
O presidente destacou o fato de que é o primeiro aniversário do Banco, em 12 anos, em que não há nenhum servidor da casa sendo processado. “Isso se deve ao trabalho do Jurídico, mas não só, senão isso tinha sido resolvido antes. O que mudou é a avaliação que as instituições de controle têm hoje do BNDES. A gente construiu credibilidade na sociedade com as nossas entregas”.
Depois de citar fatos e números que demostram a pujança do BNDES, sua importância como banco de desenvolvimento e centro formulador de políticas públicas, Mercadante sustentou que a luta sindical e associativa precisa ser feita com a consciência de que é necessário preservar a instituição.
Citando os novos empregados, Mercadante enfatizou a importância do último concurso público, mas reconheceu que a carreira oferecida aos novos benedenses precisa ser alterada. “Nós vamos estar juntos com a AFBNDES na luta para melhorar a carreira”, disse. “A curva é muito lenta e o final da carreira, do jeito que está, não resolve, e eu acho que nós temos espaço para avançar”.
Em relação à negociação salarial, o presidente destacou que o BNDES está entregando muito e os servidores precisam receber mais. “Quanto melhor é a imagem do Banco, mais chances nós temos de negociar”. E o caminho mais curto e eficiente para isso, de acordo com Mercadante, é a PLR. “Para cada meta extraordinária, precisamos ter um PLR extraordinário. Nós temos uma especificidade. Nós somos muito demandados e o servidores daqui têm que receber por isso”, afirmou.
Segundo o presidente, a situação da FAPES era uma grande preocupação da atual gestão. “Um passivo que poderia chegar a 5 bilhões de reais no colo dos servidores. Era uma coisa completamente absurda e o TCU foi parceiro na mediação. Conseguimos resolver essa questão e agora há o processo de migração. É uma opção que, para muitos, faz todo o sentido, mas para alguns talvez não faça. É uma opção que foi apresentada, não é uma imposição”.
Por fim, Mercadante apresentou uma crítica à agenda do “Estado mínimo”, à ideologia de apropriação do patrimônio público que levou o Ocidente a um declínio histórico. “Estamos lutando para ter uma relação criativa Estado-mercado e recuperar os principais instrumentos do Estado brasileiro. Essa aqui é a Casa do Desenvolvimento, uma casa que formula políticas públicas, que formulou a política industrial, que está formulando políticas de enfrentamento da crise climática, da sustentabilidade, da descarbonização, da diversidade. Então, eu acho que isso vai trazer um futuro muito promissor para o BNDES. Eu estou de passagem, a maioria aqui vai ficar… É preciso pensar grande”.
A diretora Helena Tenório, em seguida, lembrou que durante a administração anterior, a Associação dos Funcionários não era recebida, não havia reunião, não havia negociação. “Assim, é com muita felicidade que eu vejo hoje aqui o presidente do BNDES na posse da nova diretoria da AFBNDES. Além dele, temos quatro superintendentes, o diretor-superintendente da FAPES, os representantes das entidades sindicais… Todo mundo trabalhando democraticamente. Eu acho que isso tem que ser lembrado e muito valorizado por todos nós”.
Entidades sindicais presentes
O vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, e o diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Alexandre Batista, também estiveram presentes na posse.
Tendo em vista o trabalho conjunto com as Associações de Funcionários, o vice-presidente da Contraf disse que as entidades sindicais da categoria bancária estão permanentemente atentas às questões de interesse do funcionalismo do BNDES, em particular às que envolvem os novos empregados. “Também estamos atentos para a discussão de um modelo de PLR que não seja baseado somente em metas, garantindo a distribuição dos lucros de forma mais equânime e protegida para todos os trabalhadores”, destacou.
Alexandre Batista, que é funcionário do Banco do Brasil, ressaltou a importância da correção das distorções entre os quadros funcionais do Banco. “É preciso um olhar criterioso diante das especificidades que regem o acordo de trabalho dos funcionários da casa, para que possamos garantir a manutenção dos direitos e avançar em temas sensíveis. Temos a urgente missão de lutar para corrigir as diferenças que afligem os funcionários que entraram no último concurso, avançando de forma imediata no que for possível, mas cientes, a exemplo de outros bancos públicos que já passaram por esse processo, que as correções acontecerão de forma gradual, à medida que acontecerem as negociações”, afirmou.
“Diante desse auditório lotado, não poderia deixar de destacar a relevância do fortalecimento das Associações e do nosso Sindicato para garantir negociações mais robustas e com maior peso de representatividade. Somente com a filiação e engajamento do corpo funcional, poderemos avançar em maiores conquistas”, concluiu Batista.
Arthur Koblitz, que além de diretor de Relacionamento Institucional na nova Diretoria da AFBNDES, é conselheiro de Administração do BNDES, eleito pelos empregados, também fez o uso da palavra durante a solenidade de posse.
O conselheiro disse que é muito mais difícil lidar com uma administração como a de Mercadante à frente do BNDES. “Com uma administração como a de Montezano (Gustavo Montezano, presidente do BNDES de julho/2019 a dezembro/2022), não havia o que fazer”. Segundo Arthur, o ex-presidente do Banco não dava espaço para a interlocução com a Associação dos Funcionários (“Nenhum diretor recebia a AF”).
Arthur Koblitz lembrou da venda das ações da Vale durante a pandemia, sem qualquer debate interno. “Venderam as ações por 60, 65 reais em julho, agosto, e em fevereiro do ano seguinte, elas valiam quase 120 reais. E aí sobrou para a gente se manifestar publicamente sobre o que estava acontecendo”.
O conselheiro destacou a perseguição que sofreu durante aqueles anos. “Fui submetido ao Conselho de Ética, à Corregedoria e tentaram me processar por calúnia”. Mas, segundo Arthur, a AFBNDES estava preparada para resistir, por exemplo, com a contratação de escritórios de advocacia. “A gente se preparou para o combate. Tínhamos uma estrutura montada para resistir e a Associação ganhou respeitabilidade nesse processo”.
Para Arthur, o único projeto daquela administração era enfraquecer a instituição, acabar com o BNDES como órgão de fomento nacional. E para resistir a isso, a Associação precisou se preparar para a luta em defesa do Banco interna e externamente. “As duas coisas não são contraditórias. A gente representou os interesses dos empregados, que convergiam com os interesses da instituição, e a gente fez a defesa institucional do BNDES e da ideia do desenvolvimentismo”.
A atual administração, segundo o conselheiro, é mais difícil de lidar, porque é aberta ao diálogo e sente prazer na defesa do BNDES. “É uma disputa difícil de fazer, mas ela tem que ser feita. A gente tem que ser crítico e há muita coisa a criticar”.
Em âmbito mais amplo, Arthur critica o fato de não termos um plano de desenvolvimento para o Brasil. “Infelizmente, não temos. E é difícil fazer. A culpa não é do BNDES, mas para o Banco funcionar 100%, tem que ter um plano. Então a gente tem que participar dessa discussão. Como a gente como empregado pode participar? Esse é o grande desafio”.
Nova Diretoria da AFBNDES
À exceção do diretor de Relacionamento Parlamentar, William Saab, que estava em Brasília a trabalho, compareceram à cerimônia todos os novos diretores da AFBNDES: Fernando Newlands (Presidência), Roberta Azevedo (1ª Vice-Presidência e Diretoria de Comunicação), Paulo Pêgas Jr. (2ª Vice-Presidência), Elieser Gorito (Diretoria Administrativa), Fabio Pais (Diretoria Financeira), Leonardo Delgado (Diretoria Patrimonial), Rosana Nascimento (Diretoria de Diversidade e Inclusão), Pedro Maia (Diretoria de Saúde e Previdência), Leandro Ortiz (Diretoria de Tecnologia de Informação), Rafael Dias (Diretoria Sociocultural) e Arthur Koblitz (Diretoria de Relacionamento Institucional).








Matéria originalmente publicada no Giro Benedense nº 46, de 09/07/2026.
