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Uma Nova Voz para o Conselho de Administração

Lavinia Barros de Castro

Caros Benedenses,

Gostaria de agradecer a confiança, o apoio e cada voto recebido. Registro também meu reconhecimento aos demais candidatos e candidatas pelo respeito, espírito construtivo e compromisso com o país. Tivemos nove concorrentes nesta eleição, sinal da importância dessa representação. Durante a campanha, conversei com colegas de diferentes áreas, grupos, e carreiras e, mais uma vez, encontrei no corpo funcional do BNDES uma fonte de profundo conhecimento, generosidade e compromisso com o desenvolvimento.

Venho agora novamente pedir o seu voto. Acredito que minha trajetória de 25 anos no BNDES, meu conhecimento dos temas do desenvolvimento e, sobretudo, minha capacidade de diálogo com o corpo funcional e com a Alta Administração me qualificam para representá-los na defesa de um BNDES relevante e efetivo.

Desafios externos e internos

Vivemos muitos desafios. A crise política e institucional que enfrentamos não se encerrará com a eleição, qualquer que seja o resultado das urnas. Nos últimos anos, graças a muito esforço institucional, a imagem do BNDES mudou para melhor. Não podemos, porém, voltar à cultura do insulamento burocrático: será preciso seguir dialogando com diferentes atores em um Brasil profundamente dividido.

Na macroeconomia, enfrentaremos o risco de aprofundamento da crise de crédito privado após anos de juros elevados. Possivelmente, teremos ainda de conviver com preços de commodities voláteis, seja por instabilidades geopolíticas, seja por fenômenos climáticos, o que poderá dificultar uma redução mais acelerada dos juros. Além disso, demandas por maior ajuste fiscal continuarão pressionando para reduzir recursos concessionais ou ampliar pagamentos de dividendos.

Nesse cenário político-econômico, preservar fontes estáveis e previsíveis de recursos e ampliar o acesso a instrumentos concessionais continuarão sendo prioridades. Precisaremos defender o FAT constitucional e buscar fundos, isenções tributárias, garantias da União, hedges e outros mecanismos, além de assegurar adequada rentabilidade aos ativos de ações e de tesouraria. Sem recursos adequados fazemos pouco – e o país carece de muito.

Há ainda desafios internos: valorização e retenção de talentos, integração entre gerações e formação de novas lideranças. Diante de um setor financeiro em profunda transformação, precisaremos rever aspectos de nossa cultura, desenvolver novas competências e, sobretudo, ganhar agilidade.

Oportunidades e o papel do BNDES

Há também muitas oportunidades que o BNDES pode impulsionar. Devemos seguir ampliando os esforços para reverter a desindustrialização precoce, com uma agenda verde para a indústria e apoio à inovação. O Brasil tem o potencial de liderar agendas de materiais sustentáveis, agregando valor às suas cadeias de minerais estratégicos. Será necessário intensificar investimentos transformadores em infraestrutura e avançar na transição ecológica e na economia florestal. Em conjunto com instituições de fomento, podemos fortalecer uma transição justa e impulsionar uma agenda global anticíclica diante de desastres climáticos.

Outro tema fundamental é o uso ético e responsável da inteligência artificial pelos bancos do Sistema Nacional de Fomento. A IA pode promover uma verdadeira revolução, mas traz riscos que exigem atenção. Defendo também a ampliação do papel do BNDES como hub de debate e indutor de políticas públicas, reunindo governo, setor privado, academia e sociedade civil.

Diante desses desafios, será fundamental ter no Conselho uma voz capaz de dialogar em qualquer cenário. Tão importante quanto reunir argumentos técnicos será saber engajar, motivar e construir consensos, promovendo as vozes internas e externas que defendem o Banco, sem perder a ousadia transformadora de que o país tanto necessita.

Em 13 anos, tivemos apenas dois Conselheiros representantes dos empregados. São pessoas extremamente competentes, que defenderam o Banco de forma fundamental. Acredito, porém, que é tempo de mudança. Não se trata apenas de equidade, mas do valor que a pluralidade de experiências e perspectivas agrega às decisões e ao desenvolvimento do país.

É hora de uma nova voz no Conselho. Por isso, peço a sua confiança e o seu voto.

Associação dos
Funcionários do BNDES

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