VÍNCULO 1646 – “O dólar pode ser destronado da sua condição de moeda mundial?”, pergunta o Jornal dos Economistas, publicado pelo Corecon-RJ, em sua edição de junho de 2025.
Simone Deos e Alex Palludeto, da Unicamp, avaliam que o sistema monetário e financeiro criado nos anos 1970 está em desestruturação. “As medidas de Trump são uma reação, mas podem aprofundar a decadência do dólar”, dizem.
Marcelo Fernandes, da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), enfatiza que o dólar é a única moeda mundial, condição estrutural que dificilmente será modificada sem que ocorra um grande abalo na economia mundial.
Rogério Faleiros, da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), ressalta que a experiência histórica indica que o processo de “desdolarização” não será curto, linear, nem pacífico, mas sim com marchas e contramarchas.
Carlos Eduardo Martins, da UFRJ, aponta que de 71% das reservas mundiais em 2000, o dólar passou a representar cerca de 55% em 2024. “As tentativas de Trump de bloquear alternativas monetárias podem acelerá-las”, avalia.
Andrés Ferrari, da Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Mirelli Malaguti, da UFRJ, citam o Dilema de Triffin: “reduzir o déficit comercial dos EUA via reindustrialização e preservar o dólar como moeda de reserva global são objetivos contraditórios”, destacam.
Vanessa Petrelli, da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), salienta que um novo desenho das finanças global vem emergindo, mais multipolar e multimoedas, mas é improvável que surja uma moeda única que cumpra o papel do dólar.
Larissa Dornelas, da UFPR (Universidade Federal do Paraná), destaca que, embora a passos lentos, a internacionalização do renminbi reflete estratégia da China para ampliar a presença internacional e reduzir a dependência do dólar.
Niemeyer Almeida, da UFU, prevê que a China sairá fortalecida do embate com os EUA e que o dólar ficará fragilizado por perda de confiança. Mas “não está claro se a China pretende tornar o renminbi a moeda mundial”, ressalta.
Glaucia Campregher, da Ufba (Universidade Federal da Bahia), acredita que os trumpistas querem aproveitar que a China ainda não pode, ou quer, ter a nova moeda mundial para recalibrar o dólar, “o que significa tentar recuperar parte da economia rea”l.
Luiza Peruffo e André Cunha, da Ufrgs, ressaltam que, até aqui, Pequim não demonstra interesse em destronar o dólar e aposta na independência financeira em relação ao Ocidente.
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