VÍNCULO 1711 – Os articulistas do Jornal dos Economistas, publicado pelo Corecon-RJ, discutem, na edição de outubro, a vulnerabilidade externa do Brasil em um contexto de acirramento dos conflitos geopolíticos.
Mirelli Malaguti, da UFRJ, ressalta que a principal ameaça à defesa nacional brasileira é a nossa incapacidade histórica de ter um projeto de desenvolvimento que reduza as vulnerabilidades e amplie a autonomia do país. “Não há soberania política sem capacidade material para exercê-la”, diz.
Ana Penido e Jorge M. Oliveira Rodrigues, do Gedes-RJ, afirmam que a defesa da soberania nacional é necessária diante do intervencionismo estadunidense e conflitos globais. “Antes de investir, é preciso responder: Do que, ou de quem, nos defendemos? O que querem nos tomar e o que almejamos defender? Como se defender e quem assume a tarefa?”, perguntam.
Flávio Miranda, da UFRJ, avalia que os gastos militares constituem momento fundamental das acirradas disputas geopolíticas em curso. “O modo de produção capitalista é um modo de produção de guerras”, constata.
Rita Coitinho, do Ineu/INCT, propõe uma reforma nas Forças Armadas brasileiras; a construção de um plano estratégico de defesa contra ingerências estrangeiras e com orçamento para reequipamento e desenvolvimento tecnológico; e investimentos em inteligência e TI.
Daniela Doms, da UFABC, alerta que a Serra Verde, empresa de Goiás que produz terras raras, foi adquirida pela USA Rare Earth e agora integra a infraestrutura de abastecimento da indústria de defesa dos EUA, país que amplia seus instrumentos de coerção sobre a América Latina e o Caribe.
Denise Gentil, da UFRJ, e Miguel Bruno, da Ence/IBGE, apontam que a guerra e as finanças se retroalimentam: a militarização amplia oportunidades de valorização financeira, enquanto a financeirização fornece mecanismos de financiamento e incentivos econômicos à continuidade da militarização.
Carlos Eduardo Martins, da UFRJ, cita Gramsci para descrever os impasses da geopolítica contemporânea: a crise atual consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, verifica-se uma grande variedade de sintomas mórbidos.
Marco Antonio Rocha, da Unicamp, lamenta que a falta de integração entre os países da América Latina impeça que a região responda de forma conjunta às ameaças da ‘Doutrina Donroe’. “Desde a época de Bolívar, os custos da nossa fragmentação nunca foram tão altos”, sustenta.
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