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O Jornal dos Economistas pergunta: estamos vivendo o fim do Neoliberalismo?

VÍNCULO 1704 – “Os países desenvolvidos do Ocidente, a começar pelos EUA, abandonaram o neoliberalismo? Qual é a situação no Brasil e outros países periféricos? Os dogmas neoliberais se incorporaram aos valores das pessoas?” Esses questionamentos são feitos pelo Jornal dos Economistas, publicado pelo Corecon-RJ, em sua edição de agosto/2026. Confira, a seguir, a análise dos economistas convidados pelo JE.

Luiz Filgueiras, da Ufba (Universidade Federal da Bahia), avalia que a crise de hegemonia dos EUA empurra o país a negar determinadas políticas típicas da ordem neoliberal em nome de seus interesses. “Mas isso não significa uma tendência à sua difusão para o resto do mundo e, muito menos, o “abandono” do neoliberalismo, enquanto uma ordem mundial capitalista sob o domínio financeiro.

Plínio de Arruda Sampaio Júnior, do site Contrapoder, aponta que a crise terminal da ordem global multilateral impulsionada pelos EUA nas últimas cinco décadas não significa o fim do neoliberalismo como superestrutura que rege o modo de produção e de vida do capitalismo contemporâneo. “Antes o contrário”.

Ana Prestes, cientista social e historiadora, destaca que o neoliberalismo tem perdido legitimidade nos países centrais que o impulsionaram. As condições internacionais são mais favoráveis para que os países da América Latina afastem o fantasma do neoliberalismo, mas este cenário coincide com um avanço da extrema direita na região.

Henrique Pereira Braga, da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), ressalta que, após a crise de 2008, o neoliberalismo parece ter dado lugar, paulatinamente, ao neofascismo: uma combinação peculiar de “empreendedores de si mesmos” com imputação das mazelas individuais, societárias, políticas e culturais a um grupo social específico – imigrantes, comunistas, gays etc. – que deveria ser exterminado.

Marcelo Dias Carcanholo, da UFF (Universidade Federal Fluminense), afirma que o fim do neoliberalismo já foi decretado algumas vezes, “mas ele (ainda) não morreu”. “O choque tarifário dos EUA modifica um dos componentes do neoliberalismo, mas não altera seu sentido e a necessidade de sua continuidade e aprofundamento”, sustenta.

Clarice Campelo de Melo Ferraz, do Instituto Ilumina (Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético), faz um balanço dos efeitos deletérios das políticas neoliberais no setor elétrico brasileiro. “Sob gestão privatizada, a Eletrobras deixou de ser um instrumento de investimentos estruturantes, de pesquisa e desenvolvimento e de estabilização dos preços no setor elétrico brasileiro para se tornar um instrumento de estresse sobre os preços”.

Para acessar o PDF do Jornal dos Economistas, clique aqui.

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