
VÍNCULO 1691 – A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou ontem (13) a Campanha Permanente de Combate ao Feminicídio – “Pela Vida das Mulheres, a Luta é de Todos”. O seminário de lançamento, em São Paulo, marcou o início de uma mobilização permanente da CUT voltada à prevenção do feminicídio, ao enfrentamento das violências de gênero nos locais de trabalho e nos espaços do movimento sindical, além da promoção de ações contínuas de formação, comunicação, mobilização e organização adaptadas às diferentes realidades dos ramos e estados da Central.
Durante a atividade, a CUT formalizou sua adesão ao Pacto Nacional “Brasil contra o Feminicídio”, iniciativa do governo federal voltada à articulação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
A campanha permanente da CUT prevê ações planejadas ao longo de 2026, incluindo a implementação do Protocolo da CUT de combate ao assédio e violências de gênero, a construção de pautas para negociação coletiva em campanhas salariais e iniciativas de formação, comunicação e mobilização nos sindicatos e entidades filiadas.
Ao abrir o encontro, a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, ressaltou que o feminicídio é resultado de uma estrutura de violência sustentada pelo machismo, pela desigualdade e pela omissão social.
“O feminicídio é a expressão extrema de uma estrutura histórica de desigualdade sustentada pelo machismo, pela omissão do Estado, pela naturalização da violência contra as mulheres no cotidiano”, afirmou. Segundo ela, a violência tem rosto social definido no Brasil, atingindo de maneira ainda mais brutal mulheres negras, periféricas, indígenas, trabalhadoras e pobres.
Amanda destacou ainda que a adesão da CUT ao pacto nacional não pode ser encarada como um gesto simbólico: “Mais do que aderir formalmente ao Pacto Nacional, a CUT assume essa responsabilidade publicamente de fortalecer essas ações dentro dos sindicatos, nos territórios onde a classe trabalhadora vive e resiste”.
A vice-presidente da CUT e presidente da Contraf, Juvandia Moreira, afirmou que a campanha permanente representa um chamado ao conjunto do movimento sindical – e especialmente aos homens – para assumir responsabilidade no enfrentamento à violência. “Essa não é uma atividade para as mulheres, é uma atividade para os dirigentes sindicais, em especial para que os homens também nos ajudem nessa luta, porque nós já fazemos essa luta de combate à violência”, disse.
Juvandia destacou que a CUT preparou uma proposta de cláusulas para serem negociadas nas campanhas salariais, envolvendo prevenção, acolhimento e proteção às trabalhadoras vítimas de violência. “Nós preparamos um conjunto de cláusulas para serem negociadas. Algumas cabem em todas as empresas, outras dependem do porte, mas são sugestões para que o movimento sindical coloque isso na pauta de negociação”, explicou, lembrando experiências já realizadas por bancários, químicos, comerciários e outras categorias.
Para Juvandia, a luta sindical não pode se limitar a salário e direitos econômicos. “O movimento sindical realmente não é só a luta por salário e direitos, mas pela vida e pela dignidade das mulheres e meninas”, disse.
O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, classificou como fundamental o engajamento do movimento sindical no combate ao feminicídio e alertou para o crescimento da violência. “O problema vem crescendo, infelizmente. Toda semana é um assassinato que choca pela barbaridade”, afirmou, citando o aumento dos casos no país e o crescimento registrado em São Paulo.
Sérgio defendeu a participação ativa dos homens no enfrentamento ao machismo. “O agressor é o homem. Por isso é muito importante o engajamento dos homens no combate ao feminicídio”, ressaltou.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou da mesa de abertura do seminário, reforçando a articulação entre governo federal e movimento sindical no enfrentamento ao feminicídio.
A ministra defendeu que o combate ao feminicídio precisa ocorrer antes que a violência chegue ao seu estágio mais extremo. Ao tratar do ciclo de abusos, afirmou que “o feminicídio é o fim da linha” e destacou a importância da denúncia e do fortalecimento das políticas públicas de prevenção. Márcia Lopes também apontou que a mudança cultural é o desafio mais difícil do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, ao lado da ampliação da rede de proteção e da responsabilização dos agressores.
Outro destaque de sua fala foi a cobrança por maior envolvimento dos homens no enfrentamento à violência de gênero. A ministra afirmou que o problema não pode ser tratado apenas pelas mulheres, já que “são os homens que matam”, e defendeu diálogo direto com o público masculino.
A ministra alertou, por fim, para o avanço da violência digital e de grupos misóginos, como a “machosfera” e movimentos “redpill”, além de destacar ações educativas permanentes, como a inclusão do debate sobre direitos das mulheres e violência de gênero no currículo escolar por meio do programa Maria da Penha vai à Escola.
Fonte: CUT
