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Arciley Alves Pinheiro (1940-2026), por Israel Blajberg

Ingressamos no mesmo concurso de 1975. Éramos os chamados “Seniors”, mas só no nome, pois as benesses financeiras eram poucas, o que não impediu que nos dedicássemos de corpo e alma ao novo “metier”. Em contato com os antigos, e na rotina diária, logo descobrimos que não era um simples emprego, mas sim uma missão: trabalhar pelo progresso e pelo desenvolvimento do Brasil. Fomos alocados no DEPRI, no antigo prédio da Av. Rio Branco 53. Arciley, como engenheiro agrônomo, e eu como, engenheiro eletrônico, em salas próximas, onde estudávamos com afinco os projetos, participávamos das reuniões da CP – Comissão de Prioridades, e tínhamos o mesmo costume de colecionar recortes de jornal e documentação nas respectivas especialidades.

Arciley era um pouco mais velho do que eu, formado pela prestigiosa ESALQ/USP, de Piracicaba, vindo de São Paulo onde prestou o concurso, indo residir com a família em um conjunto de prédios próximo à Praça da Bandeira. Portanto, muitas vezes dividimos o mesmo ônibus. Eu, como tijucano, saltando mais à frente, naqueles tempos em que não havia metrô nem celular ou computador, Internet nem pensar, WhatsApp e redes sociais muito menos. Tínhamos um perfil similar, de recém-casados e com filhos pequenos, muitas vezes nos encontrávamos em luminosos domingos de sol no Clube da Barra. As crianças desfrutando dos amplos espaços e da piscina naqueles anos dourados que já vão longe.

O tempo passou, Arciley se destacou com muita competência e sem vaidades nas lides do Clube de Engenharia, SENGE-RJ e CREA-RJ, onde alcançou a Presidência, sempre com aquele jeito manso que o caracterizava, um verdadeiro gentleman.

Com o tempo nossos caminhos foram enveredando por vias diversas, tendo ele se afastado do Banco em 1995, após 20 anos, já chefe de departamento, assumindo então novos e relevantes postos como diretor e conselheiro em outras empresas.

Nos aposentamos, mas continuamos unidos pelo moderno telégrafo invisível que interliga corações benedenses, como amigos no Facebook. Vez por outra o encontrava esporadicamente em eventos da Engenharia, quando abria aquele sorriso que o caracterizava.

Hoje [25 de abril], a triste notícia chegou bem do jeito que ele viveu, simples e sem alarde. Que a alma do Bom Arciley se incorpore à Corrente da Vida Eterna, ingressando no Jardim do Eden pelo Portal do Paraíso, onde será recebido pelas almas de antigos benedenses, dentre os quais nossos saudosos amigos de concurso e do DEPRI,  e tantos outros que partiram, alguns tão prematuramente, nos deixando a eterna lembrança dos tempos em que juntos passamos alguns dos melhores anos de nossas vidas.

Associação dos
Funcionários do BNDES

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