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AFBNDES celebra 72 anos com palestra e cultura

Fundada em 14 de julho de 1954, dois anos após a criação do BNDES, a AFBNDES celebrou seus 72 anos na tarde do dia 23 de julho, no Auditório Reginaldo Treiger. O evento, que teve transmissão pelo Zoom, contou com palestra do economista Paulo Nogueira Batista Junior e apresentações culturais com o protagonismo de colegas benedenses, com dança de salão, poesia, chorinho, MPB, canto e percussão.

O presidente Fernando Newlands abriu os trabalhos agradecendo os associados presentes e os que estavam acompanhando o evento de forma online: “Pensei que conseguiria tempo para escrever uma fala para o evento. Ilusão. Nessa semana, a gente está tratando do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho). Estão sendo dias bem atribulados. A gente realizou hoje, pela manhã, uma grande assembleia para aprovar a nossa Pauta de Reivindicações. Foi um passo importante. Temos uma Pauta bastante desafiadora e vamos ter um processo de negociação intenso com o Banco”.

O presidente da AFBNDES fez um agradecimento especial aos funcionários da Associação e destacou a correria para a organização do evento de aniversário da entidade em tão pouco tempo. “Tudo o que a gente está fazendo aqui foi levantado em menos de duas semanas. Então, se não fosse a capacidade de trabalho do pessoal da Associação, a gente não teria conseguido. Eu quero parabenizar o diretor sociocultural Rafael Dias e a vice-presidente Roberta Azevedo, que tocaram o planejamento do evento, e o diretor institucional Arthur Koblitz pela organização da palestra com o professor Paulo Nogueira Batista Junior.”

Para Fernando Newlands, a Associação precisa ser um centro de pensamento e reflexão sobre políticas de desenvolvimento e sobre o futuro do Brasil. “Também é fundamental valorizarmos os talentos da casa. A Associação pode e deve abrir espaço para que essas pessoas apresentem suas habilidades. No final do evento, teremos a oportunidade de confraternizar e celebrar os 72 anos da nossa AFBNDES. Temos que ter a clareza de que estamos hoje aqui ocupando um espaço que é fruto de uma construção coletiva e histórica. Muitas pessoas passaram por aqui, construíram essa Associação. Por isso temos o prazer de também representar os colegas aposentados. A gente recebeu um legado e tem que olhar para frente de forma a garantir que esse legado se perpetue”.

Placa contra assédio e discriminação – O presidente da AFBNDES informou sobre a instalação, na manhã daquele mesmo dia, de uma placa no hall das salas das Associações de Funcionários do Sistema BNDES, no S1 do Edserj, reafirmando o compromisso das entidades com um ambiente de trabalho livre de assédio e discriminação. A pequena cerimônia contou com a presença de membros da Diretoria da AFBNDES, de dirigentes da AFBNDESPAR e da AFFINAME, além de integrantes da Comissão de Prevenção e Combate ao Assédio e à Discriminação. Placas semelhantes serão instaladas na Pousada Itaipava e no Clube da Barra.

Plataforma TotalPass – Em seguida, o diretor sociocultural da Associação, Rafael Dias, anunciou que a Associação está fechando parceria com a TotalPass, plataforma de saúde que dá acesso a academias e estúdios, além de serviços de bem-estar, suporte psicológico e orientação nutricional aos associados. “O aniversário é da AFBNDES, mas o presente tem que ser para os benedenses”, destacou Rafael.

Uma live sobre a parceria acontecerá no dia 6 de agosto (próxima quinta-feira), quando os associados (ativos e aposentados) poderão tirar dúvidas sobre os serviços oferecidos pela TotalPass. Mas eles já podem acessar o Manual do Usuário para se informar sobre os serviços da plataforma, planos disponíveis, mapa de academias etc.

O secretário executivo do Conselho Deliberativo da AFBNDES, Luiz Borges, também fez uma saudação aos funcionários da AFBNDES, “que durante tantos anos contribuem para o sucesso da nossa entidade”. E celebrou os dirigentes de todas as Associações, em especial da AFBNDES: “Pessoas que, muitas vezes, sacrificam suas vidas pessoais, sua saúde, sua carreira técnica, colocando a AFBNDES acima de tudo. Muitos já não estão entre nós. Todos eles merecem o nosso aplauso”.

Entidades Sindicais – Falando em nome do Sindicato dos Bancários do Rio, o presidente José Ferreira disse que a AFBNDES construiu boa parte da sua história em parceria com as entidades sindicais bancárias. “Nós tivemos, inclusive, dois ex-presidentes da Associação que foram diretores do Sindicato”.

José Ferreira destacou a importância da unidade das Associações que representam os trabalhadores do Sistema BNDES com os sindicatos de bancários e a Contraf-CUT. “Eu quero saudar os 72 anos da AFBNDES, saudar em especial a diretoria recém-empossada e desejar que a gente continue construindo dias cada vez melhores para os empregados do BNDES e para o próprio Banco”.

Além do Sindicato dos Bancários do Rio, estavam presentes no evento representantes da Contraf-CUT, UnidasPrev, APA-FAPES, AFBNDESPAR, AFFINAME e Conselho Federal de Economia.

Palestra do economista Paulo Nogueira Batista Junior

O diretor de Relacionamento Institucional da AFBNDES, Arthur Koblitz, fez a apresentação do convidado especial do evento de aniversário da AF: o economista Paulo Nogueira Batista Junior, que faria uma palestra com o título: “Industrialização como imperativo existencial para o Brasil”.

Paulo Nogueira Batista Junior foi membro da Diretoria Executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, DC., de 2007 a 2015, como diretor executivo eleito pelo Brasil e outros dez países; foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017; e exerceu o cargo de professor da Cátedra Celso Furtado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de 2021 a 2022.

“Em primeiro lugar, quero informar que o professor Paulo Nogueira Batista Junior lançou, há pouco tempo, o livro ‘Estilhaços’, que poderá ser adquirido na sala de reuniões da AFBNDES. A gente vai ter um momento aqui hoje para uma sessão de autógrafos”, informou Arthur.

“Apresentar o professor é dispensável. Ele é um dos economistas mais importantes do país, muito atuante como homem público”. Para o diretor institucional, a participação do professor tem a ver com o papel que a atual diretoria vê para a Associação: “Além de tarefas tradicionais e da defesa do Banco, a gente tem um papel importante de contribuir modestamente para o debate sobre o desenvolvimento no Brasil. É um debate que ainda está aquém do necessário. O Brasil vive uma série de impasses nesse processo de desenvolvimento. No nosso modo de ver, os funcionários que trabalham no Banco, que têm como missão principal desenvolver o país, têm que assumir essa tarefa de promover, de incentivar esse debate. E o professor tem experiência com os temas que envolvem o desenvolvimento”.

Segundo Arthur, a atual gestão quer fazer muito mais nos próximos anos. “A gente quer fazer cursos, quer trazer pessoas para cá que têm, como o professor Paulo Nogueira Batista Junior, uma história ligada a essa discussão da estratégia do país. Alguém que já prestou vários serviços públicos, além do trabalho acadêmico, atuando, seja na negociação da dívida externa, seja no FMI, representando o Brasil, seja na organização, na articulação do banco dos BRICS. É um acadêmico, um economista, um nacionalista que tem compromisso com esse país. É um depoimento importante para a gente. Um depoimento de quem tem compromisso intelectual com o Brasil. Então, estamos muito satisfeitos de estar celebrando 72 anos com a sua presença”, finalizou.

Paulo Nogueira Batista Junior agradeceu o convite da AFBNDES para conversar sobre desenvolvimento brasileiro e parabenizou a entidade pelos 72 anos de existência. “O título da minha palestra – ‘Industrialização como imperativo existencial para o Brasil’ – é um pouco dramático, mas é um dramático que se justifica pelas circunstâncias internacionais e nacionais. Por que é imperativo? Porque nós estamos num momento em que a industrialização, que inclui a formação e o desenvolvimento de uma base industrial de defesa, se tornou fundamental”.

O economista defendeu que a reindustrialização do Brasil, com foco prioritário na construção de uma base industrial de defesa, deixou de ser uma simples agenda de desenvolvimento econômico para se tornar uma questão de sobrevivência nacional.

A palestra abordou as transformações na ordem geopolítica global. Segundo o economista, o mundo vive o momento mais perigoso desde a Segunda Guerra Mundial, marcado pelo declínio das potências ocidentais – lideradas pelos Estados Unidos – e pela ascensão do Leste Asiático.

Para Nogueira Batista, a transição global tem gerado instabilidade. “O mundo velho está respondendo a patadas, com grande violência, e os Estados Unidos estão rompendo todas as regras que eles próprios estabeleceram. Virou lei da selva”, afirmou.

O economista deu como exemplo a situação da Venezuela: “Hoje, a Venezuela é um protetorado dos Estados Unidos, virou uma quase colônia. Imaginem o que isso significa. O país tem importância. É um dos maiores produtores de petróleo do mundo, tem uma das maiores reservas, se não a maior, e está subordinado aos desejos do governo norte-americano e do vice-rei Marco Rubio”.

Durante a apresentação, o economista ressaltou que a formação de uma base industrial militar é indissociável da atuação de instituições públicas de fomento. Segundo ele, o BNDES é um instrumento central para alavancar empresas operantes no setor – tanto as estritamente militares, como a Avibras, quanto as de uso civil-militar, a exemplo da Nuclep.

Nogueira Batista apontou que a capacidade de atuação do Banco sofreu limitações durante as gestões dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro e avalia que essas restrições ainda não foram totalmente revertidas no governo Lula. Para o palestrante, a instituição precisa utilizar mecanismos como crédito, incentivos fiscais, participação acionária e garantias de mercado para impulsionar a reindustrialização do setor de defesa. Ele defendeu ainda que os gastos ligados à segurança nacional sejam excluídos das metas do arcabouço fiscal.

O economista alertou para a vulnerabilidade do país em termos de segurança e soberania geopolítica, apontando que o Brasil se encontra insuficientemente armado e sem uma doutrina militar autônoma, tendo historicamente importado visões estratégicas do exterior. “O Brasil está desarmado ou está insuficientemente armado, ou tem as armas erradas, ou não sabe como usá-las, ou não tem doutrina própria para usá-las”, destacou.

Entre as principais barreiras para o fortalecimento da soberania nacional, Nogueira Batista citou:

– Desindustrialização: a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de cerca de 30% na década de 1980 para aproximadamente 10% atualmente.
– Cultura imediatista: a dificuldade da sociedade e dos governantes brasileiros em planejar o desenvolvimento a longo prazo.
– Acomodação histórica: a ausência de conflitos armados no território nacional desde o fim da Guerra do Paraguai, em 1870, que teria gerado uma falsa sensação de segurança.
– Travas legais: dispositivos constitucionais, como a renúncia voluntária ao desenvolvimento de armamento nuclear assumida na Constituição de 1988, classificada por ele como um “pacifismo desorientado”.

Quanto à cultura imediatista, Nogueira Batista afirma que nós, brasileiros, somos muito imediatistas, temos dificuldade de olhar o longo prazo. “É o contrário dos chineses, que são orientados para o longo prazo. Isso tem a ver com uma característica da filosofia de mundo deles. Que é a seguinte: contrariamente ao que acontece aqui no Ocidente, os chineses colocam o indivíduo no seu devido lugar. O indivíduo não é o centro. O indivíduo é parte de uma família, de um bairro, de uma cidade, de um partido, de uma nação. Ele não é o rei. O chinês jamais diria aquela frase famosa do Keynes: ‘No longo prazo estaremos todos mortos’. Porque no longo prazo não estaremos todos mortos. Seremos todos sobreviventes, se conseguirmos deixar um legado”.

Ativos estratégicos e o peso do Estado – Apesar do cenário adverso, o economista destacou que o Brasil possui importantes ativos a seu favor no cenário internacional, como as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, jazidas de minerais críticos (como urânio e minério de ferro), a maior biodiversidade do planeta e uma posição relevante na produção global de petróleo.

“O Brasil tem a maior biodiversidade do planeta. Com essa base natural, vários desses recursos naturais são insumos para os esforços de defesa, por causa do contexto geopolítico, geomilitar e a importância que certos minerais críticos adquirem”. Mas isso, segundo o economista, é uma faca de dois gumes, porque, ao mesmo tempo, atiça a cobiça estrangeira sobre o nosso território.

Por fim, Nogueira Batista ressaltou a importância da preservação do aparato estatal brasileiro – incluindo estatais, funcionalismo e instituições de desenvolvimento –, apontando-o como uma vantagem estrutural do país em relação a vizinhos da América Latina.

“E aí eu vou entrar numa coisa que diz respeito diretamente a vocês, a vantagem proporcionada ao Brasil pela existência de um Estado Nacional. Um aparato estatal razoavelmente estruturado, do qual faz parte o BNDES, as corporações de Estado, os funcionários de Estado e as estatais que escaparam da ira do período Bolsonaro e Temer. Essa estrutura do Estado brasileiro não está intacta. Sofreu muitos ataques, muita avaria, mas ainda assim nós temos um aparato estatal que, por exemplo, a Argentina não tem”.

Citando o lema clássico “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”, o economista concluiu que a consolidação de uma política de defesa soberana é o único caminho para garantir a segurança e a autonomia do Brasil diante das incertezas do cenário internacional.

Assista a palestra completa, aqui.

Apresentações culturais benedenses

Após a palestra e o debate que se seguiu, começaram as atividades culturais envolvendo benedenses, professores e alunos do Projeto Saúde da Cipa/BNDES.

A dança de salão ficou por conta da professora Taís Benite (Projeto Saúde) e do seu par Rafael Teixeira. Os dois bailaram com gosto pelo palco do Auditório Reginaldo Treiger – ao som de “Separação” (José Augusto e Paulo Sérgio Valle, na voz de Mumuzinho) e “Samba da Benção” (Baden Powell e Vinicius de Moraes) –, sendo muito aplaudidos.

O benedense Roy David Frankel leu dois poemas de sua autoria: um para a geração de novos empregados do BNDES [“recebam o peso que esse crachá traz / venham vivos com uma vontade voraz / deem as mãos aos colegas à frente e atrás / somente juntos e unidos podemos ainda mais”] e outro em homenagem aos 72 anos da AFBNDES [“desde então a AF é pilar e pulmão / potente, central para um banco são / e lugar para quem diz não / a retrocessos e injustiças]. Para ler a íntegra dos poemas, clique aqui.

Em piano digital, Leandro Turano brindou os presentes com dois clássicos da música popular brasileira: o choro “Brejeiro” (Ernesto Nazareth) e “Samba de Orly” (Chico Buarque, Toquinho e Vinícius de Moraes).

Em seguida, sob a orientação da professora Laura Laguber, houve a apresentação dos alunos da Oficina de Canto do Projeto Saúde. Fernanda Balbi, Luana Barros, Alexandre Solon e Daniel da Hora soltaram a voz repletos de emoção num rico repertório: “Mas que nada” (Jorge Bem Jor), “Uma partida de futebol” (Samuel Rosa e Nando Reis), “Fio Maravilha” (Jorge Bem Jor) e “O Brasil é isso aí” (Arlindo Cruz, Marcelo D2 e Junior Dom).

Encerrando as apresentações, o palco do Auditório Reginaldo Treiger foi tomado pelos componentes do grupo de percussão “Desenvolve que eu banco”, que deram um verdadeiro show em homenagem ao aniversário da Associação. Eles tocaram sucessos como “Marinheiro só” (cancioneiro popular), “Xote das meninas” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), “Frevo Mulher” (Zé Ramalho) e “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos e Anastácia) – a última canção interpretada junto com os alunos da Oficina de Canto do Projeto Saúde.

Após intensas palmas, os presentes se dirigiram ao foyer do Auditório para um merecido coquetel de confraternização.

Associação dos
Funcionários do BNDES

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